Naturtejo,
entidade administradora do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO anunciou hoje o
seu parecer desfavorável ao projeto da central fotovoltaica Sophia, apesar de
reconhecer que a sua reformulação trouxe melhorias significativas.
"A
reformulação do projeto [Sophia] trouxe melhorias significativas, nomeadamente a
redução da potência instalada, da área vedada e da superfície ocupada por
painéis solares. Ainda assim, permanecem preocupações relacionadas com a
dimensão da área ocupada, a transformação da paisagem, os efeitos sobre as
atividades económicas e turísticas e os impactes cumulativos resultantes da
concentração de projetos energéticos na região", afirmou a Naturtejo, em
comunicado enviado à agência Lusa.
O Geopark
Naturtejo, criado em 2006, é um território de conservação, educação, turismo,
inovação e desenvolvimento sustentável, classificado como Geoparque Mundial da
UNESCO, com cerca de 5.000 quilómetros quadrados, situado entre o vale do Tejo
e as montanhas do Centro de Portugal.
Abrange os
municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova
e Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco) e o concelho de Nisa
(distrito de Portalegre).
A segunda
consulta pública da central solar fotovoltaica Sophia - abrangendo os concelhos
do Fundão, de Idanha-a-Nova e de Penamacor, na Beira Baixa, distrito de Castelo
Branco - terminou no dia 21, depois de a multinacional britânica promotora do
projeto ter reduzido a capacidade instalada em 34% na reformulação que submeteu
à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).
"Relativamente
à capacidade instalada, é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico)
para cerca de 573MWp. Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em
32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de
50%", explicou a Lightsource BP na informação disponibilizada à agência
Lusa.
O projeto
inicial abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no
distrito de Castelo Branco, e uma capacidade instalada de 867 MWp.
A área
ocupada do projeto por módulos fotovoltaicos era de 390 hectares, 435 hectares
considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área
vedada.
A Naturtejo
defende uma avaliação territorial integrada que tenha em conta a capacidade de
acolhimento do território e salvaguarde a paisagem, a geodiversidade, a
biodiversidade, os solos, a atividade agrícola, o turismo e a qualidade de vida
das populações.
"A
Naturtejo manifesta disponibilidade para continuar a colaborar com a Agência
Portuguesa do Ambiente, os municípios, as restantes entidades e o promotor na
procura de soluções que permitam conciliar a transição energética com a
conservação do património e o desenvolvimento sustentável das
comunidades", lê-se na nota.
Apesar de
reconhecer a importância da transição energética e os benefícios associados à
produção de energia renovável, considera que "não está suficientemente
demonstrada a compatibilidade do projeto com os valores paisagísticos,
naturais, geológicos e socioeconómicos do território".
In noticiasaominuto.com
– 4.11.2026
