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5.11.26

Geoparque da UNESCO opõe-se a projeto de central solar na Beira Baixa


A Naturtejo, entidade administradora do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO, emitiu um parecer desfavorável ao projeto da central fotovoltaica Sophia, apesar de reconhecer melhorias na sua reformulação.

Naturtejo, entidade administradora do Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO anunciou hoje o seu parecer desfavorável ao projeto da central fotovoltaica Sophia, apesar de reconhecer que a sua reformulação trouxe melhorias significativas.

"A reformulação do projeto [Sophia] trouxe melhorias significativas, nomeadamente a redução da potência instalada, da área vedada e da superfície ocupada por painéis solares. Ainda assim, permanecem preocupações relacionadas com a dimensão da área ocupada, a transformação da paisagem, os efeitos sobre as atividades económicas e turísticas e os impactes cumulativos resultantes da concentração de projetos energéticos na região", afirmou a Naturtejo, em comunicado enviado à agência Lusa.

O Geopark Naturtejo, criado em 2006, é um território de conservação, educação, turismo, inovação e desenvolvimento sustentável, classificado como Geoparque Mundial da UNESCO, com cerca de 5.000 quilómetros quadrados, situado entre o vale do Tejo e as montanhas do Centro de Portugal.

Abrange os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão (distrito de Castelo Branco) e o concelho de Nisa (distrito de Portalegre).

A segunda consulta pública da central solar fotovoltaica Sophia - abrangendo os concelhos do Fundão, de Idanha-a-Nova e de Penamacor, na Beira Baixa, distrito de Castelo Branco - terminou no dia 21, depois de a multinacional britânica promotora do projeto ter reduzido a capacidade instalada em 34% na reformulação que submeteu à autoridade de Avaliação de Impacte Ambiental (AIA).

"Relativamente à capacidade instalada, é feita uma redução de 34%, de 867MWp (Megawatt pico) para cerca de 573MWp. Neste contexto, a área vedada do projeto é reduzida em 32% e o número de núcleos vedados diminui de 44 para 22, uma redução de 50%", explicou a Lightsource BP na informação disponibilizada à agência Lusa.

O projeto inicial abrangia os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco, e uma capacidade instalada de 867 MWp.

A área ocupada do projeto por módulos fotovoltaicos era de 390 hectares, 435 hectares considerando todas as infraestruturas, e um total de 1.734 hectares de área vedada.

A Naturtejo defende uma avaliação territorial integrada que tenha em conta a capacidade de acolhimento do território e salvaguarde a paisagem, a geodiversidade, a biodiversidade, os solos, a atividade agrícola, o turismo e a qualidade de vida das populações.

 O parecer emitido propõe ainda a definição de uma estratégia territorial mais sustentável para o desenvolvimento de projetos fotovoltaicos, privilegiando, sempre que possível, "soluções descentralizadas e a utilização de superfícies construídas ou áreas já artificializadas".

"A Naturtejo manifesta disponibilidade para continuar a colaborar com a Agência Portuguesa do Ambiente, os municípios, as restantes entidades e o promotor na procura de soluções que permitam conciliar a transição energética com a conservação do património e o desenvolvimento sustentável das comunidades", lê-se na nota.

Apesar de reconhecer a importância da transição energética e os benefícios associados à produção de energia renovável, considera que "não está suficientemente demonstrada a compatibilidade do projeto com os valores paisagísticos, naturais, geológicos e socioeconómicos do território".

In noticiasaominuto.com – 4.11.2026