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14.2.26

NISA: Tradições Musicais do Concelho


SAIAS DO AI-AI 
Popular – harmónio e voz feminina (Nisa, Alto Alentejo)
Recolha de José Alberto Sardinha (1993) (in CD n.º 5 de "Portugal - Raízes
Musicais", JN/BMG, 1997) em Chão da Velha - Nisa

Se tu fores ao Chão da Velha ai, ai
Se tu fores ao Chão da Velha
Procura na minha porta ai, ai
Procura na minha porta
Eu moro mesmo à entrada ai, ai
Eu moro mesmo à entrada
Onde a rua dá a volta ai, ai
Onde a rua dá a volta
Eu moro mesmo à entrada ai, ai
Onde a rua dá a volta
Se tu fores ao Chão da Velha ai, ai
Procura na minha porta

Amar-te e querer-te bem ai, ai
Tudo isso te eu farei
Mas andar atrás de ti ai, ai
Isso não que é contra a lei
Mas andar atrás de ti ai, ai
Isso não que é contra a lei
Amar-te e querer-te bem ai, ai
Tudo isso te eu farei

Fui ao jardim do teu peito ai, ai
Colher a açucena sentida
Sem pôr o pé foi esmagada ai, ai
Sem falar fui conhecida
Sem pôr o pé foi esmagada ai, ai
Sem falar fui conhecida
Fui ao jardim do teu peito ai, ai
Colher a açucena sentida

Amores escrevo eu e lhe mando ai, ai
Que ele recebe e eu lhe digo
Isto é uma demanda ai, ai
Que eu ando a seguir contigo
Isto é uma demanda ai, ai
Que eu ando a seguir contigo
Amores escrevo eu e lhe mando ai, ai
Que ele recebe e eu lhe digo

Já dizem que vão à lua ai, ai
E que ela que é habitada
Mas não há nenhum chaufer ai, ai
Que saiba daquela estrada
Mas não há nenhum chaufer ai, ai
Que saiba daquela estrada
Já dizem que vão à lua ai, ai
E que ela que é habitada

O Sete-Estrelas vai alto ai, ai
Mais alto vai o luar
Mais alto vai a ventura ai, ai
Que Deus tem para me dar
Mais alto vai a ventura ai, ai
Que Deus tem para me dar
O Sete-Estrelas vai alto ai, ai
Mais alto vai o luar

Nota 1: «Saias do Alto Alentejo, acompanhadas a harmónio, tocado por um nonagenário detentor de excelente técnica. A melodia é graciosa e deve salientar-se a voz da excelente cantadeira e a cantiga retornada que ela adopta, típica do Alentejo e da parte sul da Beira Baixa (repetição da quadra, trocando a ordem das parelhas de versos).

Quanto ao harmónio, lembramos que este é o nome que o nosso povo deu ao instrumento conhecido na Europa por acordeão diatónico. Trata-se do primitivo instrumento que tinha um teclado apenas com uma ordem de botões e que, accionado o fole para fora ou para dentro, fazia uma escala diatónica regular, o qual fez entrada em Portugal nas últimas décadas de Oitocentos.
Começou por ser conhecido entre nós por harmónica de mão, em contraposição à harmónica de boca e, por fim, harmónio, designação que mais se consagrou. O povo português adoptou com rapidez e facilidade o acordeão diatónico, até porque se revelava particularmente apto a tocar as músicas (segunda metade do século XIX) então em voga, que eram, nem mais nem menos, as mesmas que já na Europa central o instrumento, desde os seus primórdios, havia divulgado
pelas várias camadas sociais, da burguesia ao povo: as valsas, as marchas, as polcas e as mazurcas. O declínio das outras danças então populares em Portugal (sobretudo da contradança e do fandango) a favor destas que, por essa altura, se haviam também já popularizado, veio, assim, a acentuar-se
com a introdução do acordeão diatónico, ou harmónio. E posto isto, não podemos deixar de relacionar a abundância daquele tipo de modas bailadas nestas províncias (Estremadura, Ribatejo e Alentejo, embora mais no Alto que no Baixo) e a sobrevivência até aos nossos dias do harmónio e da concertina (instrumento ainda diatónico, mas já de duas e três ordens, ou 'carreiras'
de botões).»

(José Alberto Sardinha, in *Guia de audição*)
Nota 2: Sete-Estrelas ou Sete-Estrelo: designação popular da constelação das Plêiades, próxima da constelação do Touro.

SAI

19.1.18

NISA: Descobrir e Viver os Percursos Pedestres do Concelho (1)












Quando a Primavera despontar e os raios solares se tornarem mais luminosos, junte um grupo de amigos e parta à descoberta dos Percursos Pedestres do concelho. São muitos, variados e com paisagens surpreendentes. Como este, o PR 2 "Descobrir o Tejo" (Chão da Velha) que alunos, professores, funcionários e amigos da Escola Prof. Mendes dos Remédios de Nisa percorreram  no dia 5 de Maio de 2007. Já lá vão 10 anos, mas as imagens não deixam de mostrar um tempo de frescura e juventude que a natureza sempre proporciona.

17.11.14

NISA: Percursos Pedestres - Descobrir o Tejo PR 2

PR 2 - Descobrir o Tejo | Percurso Pedestre de Nisa
Duração Total :1h30
Descrição »» Acesso: NISA > EM 544 > CM 1159 > CM 1001 > CHÃO DA VELHA
Grau de dificuldade: FÁCIL
Extensão: 4,25 KM
O percurso inicia-se junto à antiga escola primária de Chão da Velha, aldeia situada no extremo noroeste do concelho de Nisa, onde pode observar as casas envelhecidas, com as características chaminés alentejanas. Outrora, a agricultura e o pastoreio de vacas e cabras eram as principais fontes de subsistência desta povoação, praticamente desertificada. Hoje, a agricultura, a olivicultura, a exploração de cortiça e a rentabilização dos eucaliptais são as principais actividades económicas da zona. Assim que calcorreamos os primeiros metros, verificamos que em redor subsistem algumas hortas e vinhas, provando que ainda há quem não tenha abandonado definitivamente estes campos.

Chão da Velha
Percorrendo as matas, povoadas de eucaliptos, desça por um trilho de pé posto, serpenteando um caminho estreito ao longo da encosta, num percurso em terra batida, perdido nas barreiras do Tejo e que nos conduzirá até à sua margem sul. Aprecie a vista privilegiada sobre o rio, avolumado pela albufeira da barragem do Fratel, e em particular a panorâmica sobre a margem norte, pertencente ao concelho de Mação, com a linha da Beira Baixa a recortar por completo o horizonte. Chegados ao local, onde existe um pequeno cais de acostagem e um parque de merendas, obtém-se uma boa perspectiva daquela bacia hidrográfica, área privilegiada para a observação da avifauna local, em particular de aves como a garça-real, a cegonha-negra, o milhafre-real, a águia-pesqueira, o abutre-negro, o bufo-real, o corvo-marinho e o grifo. Este é também o território natural do javali, do veado, do coelho, da raposa, do ginete, da lebre, do saca-rabos e do gato-bravo, bem como um dos melhores locais para a prática da pesca desportiva. No Tejo podem pescar-se o barbo, a boga, a carpa, o achigã, a enguia, o bordalo e a perca.
 Rio Tejo.
Inicie então a subida, num percurso em terra batida, passando por entre vários eucaliptais. Atravesse uma vereda até chegar ao ponto mais elevado do trilho, numa eira, acompanhando uma parede de xisto com a particularidade de apresentar um remate deitado. Antes de chegar ao Chão da Velha, passe por uma fonte, por algumas construções em xisto e junto às barrocas, onde outrora abundavam os olivais. Em toda esta região, a paisagem reveste-se de sobreiros, azinheiras, oliveiras, pinheiros bravos e eucaliptos. Junto ao solo são comuns as estevas, as giestas, o rosmaninho, o zimbro, os medronheiros, a urze e o alecrim. Por sua vez, nas margens do Tejo abundam o junco, o salgueiro, o choupo e o freixo.
Aproveite ainda para visitar a igreja matriz de São Matias, no Cacheiro, que conserva uma imagem de pedra do século XVI, representando S. Pedro. Nesta povoação, conheça também as fontes de mergulho e os fornos do povo, e não se esqueça de provar o queijo, as cavacas, as tigeladas, os enchidos e o ensopado de borrego.
 Hortas tradicionais
Grande parte do concelho de Nisa tem uma utilização agrícola, dominando as árvores de fruto, os olivais e as tradicionais hortas e vinhas. A maioria das casas das aldeias têm um quintal onde se cultivam legumes e vegetais, sendo a agricultura de subsistência utilizada também pelos reformados como terapia ocupacional.
Eira em Chão da Velha
Nas eiras, espaços amplos em terra batida, laje ou cimento, situadas em zonas soalheiras junto às casas, secavam-se e malhavam-se cereais como o trigo, o centeio ou o milho. Entre Julho e Setembro, na época das colheitas, malhavam-se as espigas, fazendo o grão soltar-se dos carolos, sacudindo-as depois ao vento para libertar a moínha com que se enchia as almofadas. Terminado o processo, o grão era guardado e mais tarde moído, servindo a palha de alimento a animais.
Produção de azeite
Noutros tempos, para além das imediações de Nisa, a maioria da produção de azeite do concelho provinha das proximidades do Tejo, em particular dos arredores das povoações de S. Simão e de S. Matias. Devido ao seu microclima e ao tipo de azeitona aí existente, o azeite do Norte Alentejano apresenta um sabor frutado e suave. Para além dos cozinhados, é também utilizado na conservação de enchidos e queijos.
Aspectos de interesse: XISTO E SOCALCOS DE OLIVAL

Há 670 milhões de anos, a região era ocupada por um mar interior de águas pouco profundas, onde se foram depositando sucessivas camadas de argila, que mais tarde emergiriam, formando colinas xistosas de declives acentuados. Esta pedra, abundante e fácil de trabalhar, tem sido utilizada na construção de muros, abrigos e casas, bem como de moinhos e azenhas, alimentados por rios e ribeiras, e que podem ser apreciados em todo o concelho de Nisa. Neste troço montanhoso do Tejo, num vale encaixado que marca a transição entre o sul do país, quente e seco, e o norte, temperado e húmido, destacam-se os abundantes socalcos de olival.
Fauna e flora em destaque

OLIVEIRA: A madeira desta árvore, dispersa no Mediterrâneo por gregos e romanos, é dura e compacta, sendo óptima para a marcenaria e aquecimento. As folhas são usadas em chás e o azeite, extraído do seu fruto, a azeitona, é utilizado na culinária e em cosméticos e relaxantes.
LONTRA: De pêlo espesso, corpo e cauda alongados e membros curtos, alimenta-se de peixes, crustáceos, anfíbios e répteis. Animal de hábitos nocturnos, ágil na água, vive na margem de rios e lagoas, construindo abrigos na vegetação.
A ter em conta: Não deixe de estabelecer contacto com os poucos habitantes de Chão da Velha, gente simpática e hospitaleira, que devido ao isolamento geográfico se mostra especialmente calorosa para com os visitantes.
Contactos úteis: Junta de Freguesia de São Matias - Tel: 245 469 226 - 
www.e-cultura.pt/itinerários