Não há duas sem três. Num local da freguesia
constrói-se a “conta gotas” e a passo de caracol, com teias burocráticas sem
fim, num processo que envergonha o poder local.
Noutros sítios, pelo contrário, em zona de grande
interesse histórico, patrimonial e paisagístico, as regras parecem não existir
e a “ordem” é para avançar a todo o custo.
Morador de Arneiro, atento e defensor do
património natural, “esbarrou”, há dias, com este pequeno monstro “plantado” em
plena área protegida do Conhal e ali mesmo junto a uma das mais belas paisagens
do concelho: as Portas de Ródão.
É uma autêntica nódoa na paisagem,
injustificável, mesmo que pelo meio se diga que a construção do muro se destina
a infra-estruturas eléctricas.
O progresso não pode constituir um chavão e uma
justificação para tudo, até para este crime de lesa património. Há sempre
alternativas quando as entidades ditas responsáveis procuram, com vontade e bom
senso, compatibilizar dois interesses que não são antagónicos. Procurem
soluções, derrubam o “muro de Berlim” e devolvam a paisagem que é de todos ao
Pego das Portas.
Por algum motivo, esta zona é protegida e
classificada como património natural pela UNESCO. Será mesmo?
Mário Mendes in "Alto Alentejo" - 22/5/2013