A decisão só peca por tardia, depois da denúncia sobre a colocação abusiva de tal estrutura ter chegado à Assembleia Municipal. Cumpre-se, assim, uma recomendação da mesma, evitando-se que o assunto transitasse para o Ministério Público.
Acredito que a colocação da estrutura metálica tivesse uma boa intenção e longe de mim pensar que o presidente da Junta de Freguesia de Amieira do Tejo agiu de má fé. Cumpria-lhe preservar um bem público, o barco para a travessia do rio e propriedade da autarquia, só que, talvez por desconhecimento, ao pretender resolver um problema (a segurança de um bem colectivo) criou um outro, ao limitar e impedir nalguns casos, o acesso público ao rio.
O Tejo é património da humanidade. Aprendemos todos na primária que nasce na serra de Albarracin em Espanha e para nós, nisenses, alentejanos e portugueses, já nos bastam as "tropelias" que nuestros hermanos cometem sobre o rio, uma das quais, a mais grave, é o sugamento das suas águas através de transvases, muitos deles ilegais e sem qualquer controlo.
Andou bem, por isso, a Junta de Freguesia de Amieira do Tejo e o seu presidente, ao reconhecerem a justeza de uma denúncia e crítica sobre um acto ilegal, repondo a livre passagem de acesso ao rio.
Bom seria que outros autarcas de freguesia do concelho e o próprio de Amieira do Tejo, tomassem a mesma atitude em relação aos caminhos vicinais públicos, um dos problemas mais graves existentes no nosso concelho, no que se refere à usurpação e vedação de parcelas do território que são de todos.
Quando o bom senso e o uso da razão se sobrepõem à "cegueira política" é possível resolver problemas para o bem de toda a comunidade.
Amieira do Tejo fica mais rica sem "o muro metálico" de acesso ao rio.
É que, para "guetos", já nos bastam os da Faixa de Gaza...
Mário Mendes