Uma
"trend", conhecida como "se ela disser não", espalhou-se no
TikTok através de vídeos curtos e ganhou dimensão por altura do Dia
Internacional da Mulher. A narrativa assenta em pedidos de namoro ou de
casamento. Os homens (com "h" pequenino) encenam um momento romântico
e imaginam a possibilidade de ser rejeitados. Quando surge o hipotético não,
fingem agressões físicas. Espancam bonecas, manequins, simulam disparos com
armas de brincar ou mostram-se a treinar o corpo para estarem em forma no
momento da agressão. A moral da história é simples: um não justifica violência.
É
difícil decidir o que é mais perturbador. Se são as redes sociais coniventes
com este tipo de conteúdos ou se é a cultura machista a ganhar espaço na
sociedade. Pior, se normaliza de tal forma a violência de género que a
apresenta como uma simples piada.
No
Brasil, o caso já está na Justiça. A Polícia Federal abriu uma investigação
para identificar os autores dos vídeos, depois de um grupo de jornalistas ter
identificado publicações deste género com milhares de interações. O TikTok
também foi intimado a fornecer informações sobre os sistemas de moderação
automática de conteúdos.
Os
vídeos em causa remetem o machismo para outra dimensão. Agora com música
ambiente, com filtros bonitos e hashtags. Podemos culpar as redes. Mas, neste
caso, o TikTok é apenas o esgoto por onde a água passa.
Manuel
Molinos – Jornal de Notícias -13 de março,2026
