31.8.25
30.8.25
28.8.25
NISA: Conheça os poetas do concelho (XLVIII) - António Borrego
O teu sorriso...que se poema...
como o cintilar das estrelas
ou o canto do tentilhão
ou como uma lua cheia de agosto
ainda me pões o peito acelerado
com a "sensação única" que percorre toda a pele
como um rio, que galga as margens
e, invade terrenos...
para além dos limites do seu caudal...(a água não tem limites)...
só o amor excede os limites
só o amor excede o que se vive
e salta, sobre as margens que o comprimem
aventurando-se, em busca da perfeição
que existe no impossível...(onde se esconde o belo)
diz o coração quieto...
da alma inquieta...que sonha...
e, porque te sonho...irrequieto...
nessa busca que busca...um sentido...
para os "sentidos todos"...
que sofrem desejos...
a tua cor dentro do sonho...é azul...
que diz não!!...à morte dos sentidos
e, todos os dias lutamos...para viver impossíveis...
sem gastar o amor...
ainda tenho acesso...ao "quase inaudível"?
ainda poderei ouvir o zumbido da libelinha?
ou este cansaço...é real?...
e, já nem dissipo as nuvens...
onde se esconde "aquele arrepio" gostoso
que brinca ao esconde, esconde...
como as crianças brincam à cabra cega...
e nessa vastidão do sentido, que te invoca...
conseguia/consigo...chegar sempre a ti...
no meio da confusão ouvia/ouvi...a tua voz...
que dizia com doçura
e teimosa excitação...
continua...continua...
A.B. 2017
* Pintura de Virgínia Peleja
26.8.25
OPINIÃO: A minha casinha
·
António
José Gouveia – Jornal de Notícias - 25 de agosto, 2025
25.8.25
Alentejo entre os cinco finalistas dos Travelbook Awards 2025 na categoria “Melhor região da Europa para férias em parque de campismo”
Os
Travelbook Awards distinguem, anualmente, destinos, tendências e experiências
de viagem em várias categorias. A lista de finalistas resulta de uma extensa
pesquisa editorial, de inquéritos a especialistas e DMO’s, e também da
participação dos leitores através das redes sociais. O vencedor final em cada
categoria será escolhido pelos leitores, através de uma grande votação online.
A
cerimónia de entrega dos prémios terá lugar a 23 de setembro de 2025, em
Berlim, reunindo representantes de destinos e marcas de viagem internacionais.
“Estar
entre os finalistas dos Travelbook Awards, escolhidos pelo maior portal de
viagens da Alemanha, é um reconhecimento muito importante para o Alentejo.
Temos feito um forte investimento no campismo e no caravanismo, de que é bom
exemplo a aposta na rede de ASA – Áreas de Serviço para Autocaravanas, e este
tipo de distinção mostra que estamos no caminho certo para afirmar o Alentejo
como um destino de excelência neste segmento”, afirma José Manuel Santos,
presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA).
Lançados
em 2021, os Travelbook Awards são hoje uma referência no setor turístico
alemão, distinguindo anualmente os melhores destinos, hotéis, companhias aéreas
e experiências de viagem. Todas as informações sobre edições anteriores estão
disponíveis em www.travelbook.de/travelbook-award.
Sobre a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA):
A
Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA) é a entidade
responsável pela promoção externa da região do Alentejo enquanto destino
turístico de excelência. Com uma estratégia focada na valorização da
autenticidade, sustentabilidade e diversidade da oferta turística, a ARPTA
trabalha em estreita colaboração com agentes públicos e privados para
posicionar o Alentejo nos principais mercados internacionais. A sua missão é
reforçar a notoriedade do território, atrair visitantes de elevado valor
acrescentado e fomentar o desenvolvimento económico e social da região através
do turismo.
PALESTINA VIVE: Soldado que participou no genocídio organiza festival israelita em Portugal esta semana
O encontro é organizado pelos irmãos Shahar
Pierre Bickel e Dean Bickel, que irão também participar enquanto músicos, sob
os nomes artísticos Fat Cat e Bickeloz, respetivamente.
Shahar Bickel,
o principal organizador, é um soldado reservista que regressou a Israel
em outubro de 2023, quando Israel iniciava o genocídio em Gaza, para se alistar
no exército de ocupação, tendo cumprido serviço militar pelo menos até dezembro
desse ano. Shahar é soldado no batalhão “Sayeret Nahal”, uma unidade das forças
especiais e de reconhecimento integrada na brigada Nahal. Os seus soldados são
conhecidos como os “Corvos de Nahal”.
Em maio de 2025, em plena campanha de
utilização da fome como arma de guerra, Shahar promoveu uma festa do dia da
“independência” de Israel, onde se celebrou a Nakba e o atual genocídio em
Gaza. Essa festa foi organizada pela produtora israelita “Fusion Culture”, que
fará um showcase musical no “Anta Gathering”, apresentando 5 artistas
israelitas do seu catálogo.
O encontro terá lugar num terreno propriedade
de Yotam Ittah, primo dos organizadores. Yotam adquiriu esse terreno para nele
construir um centro de retiros, yoga e meditação, que pudesse acolher encontros
como o “Anta Gathering”.
A cultura psicadélica em Portugal não pode ser
um porto seguro para quem cometeu crimes de guerra e contra a humanidade. Não
aceitamos o livre trânsito em Portugal de quem pratica, apoia, relativiza ou
normaliza estes crimes.
Não são bem-vindos!
Apelamos
a um boicote total a este evento de normalização e de acolhimento de criminosos
e de apologistas de crimes de guerra e contra a humanidade. Exortamos todos os
que estiverem a colaborar neste evento, incluindo cidadãos e empresas
portuguesas, a terminarem de imediato essa associação.
Comité de Solidariedade com a Palestina
https://bdsportugal.org/
palestinavence.blogs.sapo.pt
ARRONCHES: Estudo ‘Artérias Sãs’ convida população a efetuar exame de saúde
A ELCOS – Sociedade Portuguesa de Feridas encontra-se atualmente a desenvolver um importante estudo de saúde pública denominado ‘Artérias Sãs – Diagnóstico da Doença Arterial Periférica na População de Arronches’, uma ação que decorre no âmbito do protocolo celebrado entre a referida instituição e a autarquia local.
Este
é um estudo pioneiro a nível nacional e que tem como objetivo identificar e
acompanhar casos de Doença Arterial Periférica em utentes com idade igual ou
superior a 50 anos. A Doença Arterial Periférica é mais frequente a partir dos
55 anos de idade e, em muitos casos, evolui “silenciosamente”, ou seja, sem
sintomas evidentes, podendo gerar complicações cardiovasculares graves.
Esta
ação, cujos rastreios iniciaram nesta terça-feira, dia 19 de agosto,
encontra-se a ser levada a efeito no Centro Cultural de Arronches todas as
terças-feiras, das 14H30 às 17H00 e sábados, das 10H00 às 13H00 e das 14H00 às
16H00. Estas sessões serão também efetuadas nas freguesias de Esperança e
Mosteiros, com o Município a comunicar oportunamente as datas e os locais das
mesmas. Os interessados deverão fazer a marcação do seu rastreio na Câmara
Municipal de Arronches, presencialmente ou através do contacto telefónico 245
580 080. A sua participação é voluntária e gratuita, sendo apenas necessário
assinar um Termo de Consentimento Informado.
De
realçar que o rastreio é realizado por meio do Índice Tornozelo-Braço, um exame
de execução rápida, simples e não invasivo, que permite avaliar a circulação
sanguínea nos membros inferiores. Todos os participantes receberão de imediato
o resultado do exame, bem como orientações para procurar aconselhamento médico,
caso sejam detetados valores sugestivos de Doença Arterial Periférica.
24.8.25
OPINIÃO: Debater as leis laborais
Há alguns anos, para chegar ao ponto em que estamos hoje, enfrentamos
um longo debate. Frente a frente estavam duas visões contrárias: por um lado, a
versão de que a flexibilização (era essa a palavra-chave na altura) era
essencial para a modernização do mercado de trabalho e para o desenvolvimento
do país; por outro, os alertas de que a precarização que era defendida
significava um ataque aos direitos da parte mais frágil da equação: o
trabalhador.
Hoje, discutimos (se calhar, menos do que devíamos) uma nova alteração
à legislação laboral e um novo avanço da visão que considera a flexibilização
essencial para o desenvolvimento.
Neste debate, que não parece acompanhado da atenção que merece, não
podemos esquecer duas ideias-chave: o trabalhador é sempre a parte mais fraca e
cabe ao Governo exercer um papel que equilibre esse peso diferenciado.
Devemos debater estas propostas sem nunca esquecer o panorama global e
não nos deixarmos enganar por discussões marginais.
Sobretudo, devemos insistir num ponto essencial: trabalhadores e
empresas não estão no mesmo patamar de direitos com forças equivalentes.
Sendo importante modernizar a legislação, adaptando-a ao funcionamento
do trabalho atual - e há muito a fazer neste campo -, não devemos permitir que
sob essa capa se tome a parte pelo todo e se retirem direitos essenciais com a
desculpa do combate aos abusos.
E esta é outra regra básica que não pode ser esquecida: o combate aos
abusos não pode nunca servir para justificar a retirada de direitos.
Nuno Marques – Jornal de Notícias - 18 de agosto, 2025
23.8.25
21.8.25
NISA: Luís Palheta é o cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal
O Dr. Luís Palheta, advogado, professor universitário e Cônsul Honorário de Portugal em Tours, França, é o cabeça de lista do PSD, nas próximas eleições autárquicas, à Assembleia Municipal de Nisa.
A candidatura de Luís Palheta reforça
os laços entre a diáspora portuguesa e a sua terra natal. Natural de Nisa, no
Alto Alentejo, e residindo em França desde a infância, o Dr. Palheta construiu
uma carreira notável e tem sido um embaixador ativo de Portugal no estrangeiro.
A sua experiência e dedicação são evidentes em projetos como a criação do
"Portuguese Business Club", uma associação de empresários portugueses
em Tours, que visa fortalecer as relações económicas entre a região de Touraine
e as empresas lusófonas.
Recentemente, a cidade do Porto
reconheceu o seu trabalho ao condecorá-lo com a Medalha de Mérito Municipal.
Esta distinção deve-se aos seus esforços na promoção da ligação aérea entre
Tours e Porto e no fomento das relações económicas e culturais entre as duas
cidades.
A sua vasta experiência profissional,
incluindo a especialização em Direito do Trabalho e o seu papel como professor
universitário, permitiu-lhe abraçar a missão de Cônsul Honorário de Portugal em
Tours. Nesta função, tem representado o país em eventos culturais e económicos,
com especial foco no desenvolvimento das relações bilaterais entre Portugal e
França.
Foi condecorado pelo Presidente da
Republica na embaixada de Paris com a Ordem de Mérito, em Fevereiro de 2022.
A candidatura de Luís Palheta à
Assembleia Municipal de Nisa surge como um sinal claro do seu compromisso em
contribuir para o desenvolvimento da sua terra natal, aplicando os
conhecimentos e a rede de contactos que construiu ao longo da sua vida em
França.
19.8.25
SAÚDE: O silêncio mortal do Cancro do Pulmão: não podemos continuar a ignorar os sinais
A elevada letalidade do
Cancro do Pulmão é devida ao seu diagnóstico tardio e à má resposta ao
tratamento nos casos de doença avançada. Cerca de 70 a 80% dos casos de Cancro
do Pulmão ainda são diagnosticados em estadio localmente avançado ou
metastizado, situação em que não há terapêutica curativa. Mesmo com os avanços
de diagnóstico nesta área, as pessoas com Cancro do Pulmão continuam a chegar
aos centros de diagnóstico e terapêutica dos Hospitais em fase avançada da
doença que não permite terapêutica curativa.
O diagnóstico tardio do
Cancro do Pulmão está relacionado, com o facto de os sintomas se podem
confundir com os sintomas de bronquite ou uma infeção respiratória arrastada,
dores ósseas degenerativas, etc.
Embora a idade média de
aparecimento de Cancro do Pulmão se situe nos 72 anos, esta não é apenas uma
doença de idosos. Há um elevado número de mortos abaixo dos 65 anos e, os casos
em pessoas com menos de 45 anos têm vindo a ser cada vez mais frequentes.
A percentagem de pessoas
que não fumaram, mas que têm Cancro do Pulmão tem vindo a aumentar, rondando
atualmente os 20%. O número de mulheres com Cancro do Pulmão tem vindo a
aumentar devido ao aumento de mulheres fumadoras e também a alterações
genéticas causadoras de cancro.
Idade mais baixa, sexo feminino e o facto de não ser fumador, que eram considerados anteriormente indicadores de muito baixa probabilidade de ter cancro do pulmão, já não podem ser considerados como tal.
Sintomas como tosse com
ou sem expetoração, falta de ar, farfalheira ou com cansaço, dores no peito,
dores ósseas, dores de cabeça, falta de apetite, emagrecimento sem causa
aparente, alterações nos dedos, podem ser devidos a cancro do pulmão.
A primeira vez em que eu
achei que tinha salvo uma pessoa de morrer de cancro do pulmão, ainda não
estava a trabalhar na área do cancro do pulmão. O dono de uma loja perto de
casa, um grande fumador, apresentava unhas em baqueta de tambor, uma das
síndromes para neoplásicos do cancro do pulmão. Quando vi as unhas desse
senhor, referenciei-o a uma consulta de pneumologia, e, para tornar uma
história grande curta, ele foi operado e sobreviveu ao cancro do pulmão.
Mas continua a ser
fundamental um diagnóstico atempado e para isso é importante que todos
estejamos atentos à possibilidade do diagnóstico de Cancro do Pulmão, médicos e
população em geral. O aparecimento de tosse sem causa aparente ou com duração
de mais de uma semana, sangue na expetoração, cansaço inexplicável, dores
persistentes, cefaleias, são sintomas que devem levar à consulta do médico
assistente com suspeita de Cancro de Pulmão.
Teresa Almodôvar,
Diretora do Serviço de Pneumologia do IPO de Lisboa
NISA: Conheça os poetas do concelho (XLVII) - F. Bagulho
(“Nova Iorque, 17 – Celebrou-se uma missa entre Colónia
(Alemanha) e Shannon (Irlanda), num avião da Lufttansa... (Do “Diário de
Notícias)
O homem, cansado já da escravidão
A que a terra, há milénios, o sujeita,
Resolve emancipar-se e a hora espreita
Da nobre, desejada redenção.
Novo Ícaro, voar, é a ambição
Da sua mente ousada, insatisfeita!
Assim, teimoso e audaz, tudo aproveita
Que do problema ajude a solução;
E um dia, enfim, depois de luta insana,
Viu seu esforço coroado! A águia humana,
Com segurança, agora, sulca os céus,
Nimbada pelo resplendor da glória;
E exultante, feliz com a vitória,
Ergue no azul, um novo altar a Deus.
F. Bagulho
18.8.25
CASTELO DE VIDE: A Banda União Artística celebra 144 anos!
📅 23 de agosto
🕡 18h30
📍 Parque João José da Luz – Castelo de Vide
CENTENÁRIO: De Nisa para a moviola, o percurso singular de Baptista Rosa
João Emílio Baptista Rosa nasceu em Nisa a 18 de Agosto de 1925. Filho de comerciantes, foi para Lisboa para estudar Direito e depois Letras, cursos que trocou por uma paixão maior: o cinema.
As
conversas com amigos nas tertúlias lisboetas do Palladium e nos estúdios da
Tóbis, a par das leituras e colaboração em jornais e revistas ligadas à arte
cinematográfica, mais cimentaram o fascínio por uma arte que despontava em
Portugal: o cinema.
Na
qualidade de colaborador da Revista “Animatógrafo”, com direcção de António
Lopes Ribeiro (1933/1941), Baptista Rosa escrevia as suas crónicas e críticas
sobre o Cinema que se fazia naquela época.
Em
1941 estava como estagiário no filme “O Pai Tirano”, realizado por António
Lopes Ribeiro, e, logo de seguida no filme “O Pátio das Cantigas”, realizado
por Francisco Ribeiro (Ribeirinho).
Com a experiência adquirida rumou a Espanha (Madrid) no ano de 1946, tendo, então, trabalhado com o cineasta húngaro Ladislao Vajda, o qual foi durante a época de 40 e 50 um elemento fundamental do cinema espanhol, destacando-se, para o efeito, um filme que marcou a juventude Ibérica e da América Latina, “Marcelino, Pão e Vinho”.
Fundou
e dirigiu a revista IMAGEM de 1954 a 1959, a qual se dedicava à divulgação da
actividade cinematográfica.
A
visita da Rainha Isabel II a Portugal em 1956 foi um marco fundamental do
contributo de Baptista Rosa para a história do Cinema e Televisão no nosso país
e que fica bem expresso no depoimento sobre este evento de Augusto Cabrita
presente no Livro “50 Anos da RTP”, da autoria de Vasco Hogan Teves:
“Foram mobilizados para cobrir o acontecimento todos os ‘cameramen’ possíveis deste País” – relembrava Augusto Cabrita, acrescentando: “E eu, como só possuía máquinas fotográficas, tive que comprar à pressa uma reluzente e magnífica ‘Paillard-Reflex’. (...) O Baptista Rosa na sua farda de tenente do Exército, filmava, em grande plano, a chegada da Rainha junto ao Cais das Colunas. Eu (em ‘plongée’...), do cimo do Arco da Rua Augusta, fazia os planos de conjunto. O José Manuel Tudela, o Carlos Tudela, o Serras Fernandes, o Adriano Nazareth, o Vítor Manuel, o João Martins, o António Cunha Teles, o Walter Sampaio, o António Bernardo, o Artur Moura... e os outros membros da equipa espalhavam-se por sítios estratégicos da cidade até Queluz... Mas, após os planos de conjunto feitos do meu poleiro, ainda me lembrei de fazer um ‘extra’ (fora da planificação) que foi descer à pressa a escadaria e achar-me ao nível da rua a tempo de enquadrar Craveiro Lopes e Isabel II sob o Arco, e segui-los, numa correria doida, de máquina em punho, passando pelo Rossio, Restauradores, subir a Avenida e chegar ao Marquês, exausto como o corredor da Maratona...
Tirando o máximo partido da sua farda de oficial, Baptista Rosa infiltrou-se por quantos sítios foi possível para apanhar as melhores imagens. Quebrou alguns protocolos, mas, graças a isso, impressionou uns tantos metros de filme com imagens que ninguém mais conseguiu. Como, por exemplo, aquela do interior do coche, com os sorrisos de Isabel e Craveiro (e sabe-se como era difícil fazê-lo sorrir) em primeiríssimo plano, enquanto os seguranças, aturdidos , só se aperceberam do que se passara quando já nada podiam fazer. É que o Baptista Rosa fora demasiado rápido a abrir a porta da carruagem e a assestar a objectiva.”
No livro “Baptista Rosa”, uma edição de 1984 da Cinemateca Portuguesa, com a organização literária de José Matos-Cruz, pode ler-se na introdução: “Na galeria de autênticos profissionais do Cinema Nacional, Baptista Rosa ocupa uma posição atípica e singular. Pela sua multifacetada capacidade como técnico, pela viva experiência enquanto escritor e repórter, pelo carácter específico das Obras que assinou.
Dividido entre afazeres e apetências, distribuindo-se por áreas e motivações frequentemente insuspeitáveis, Baptista Rosa dedicou décadas – o melhor esforço aos Serviços Cartográficos do Exército e à Radiotelevisão Portuguesa.”
Um Amor Entre Cinema e Televisão
Na
obra citada, Luís de Pina, então Director da Cinemateca, escrevia:
“Conheci Baptista Rosa durante a fase
heróica da Radiotelevisão Portuguesa, aí pelo ano de 1958.
Sentado a uma moviola de 16mm, com os
olhos cravados nas imagens e as mãos crispadas nos comandos da máquina,
utilizava um método muito pouco ortodoxo mas ainda hoje seguido, pendurando os
planos do filme no pescoço, à medida que a sequência ia sendo alinhavada.
Era aquele, na verdade, o seu elemento. Mais repórter do que escritor, mais à vontade na montagem do que na realização, a tendência habitual do seu espírito fadava-o para a curiosidade insaciável por todas as pessoas e por todas as coisas. Se escrever é pensar com os dedos, como dizia um grande Jornalista, Baptista Rosa servia-se dos olhos para nos revelar o grande espectáculo, o grande Cinema da vida. A câmara e a moviola eram as companheiras de todas as horas”.
Baptista
Rosa trabalhou nos Serviços Cartográficos do Exército onde atingiu o posto de
tenente- coronel. Ao longo da sua curta vida, foi Guionista, Realizador, Produtor,
Actor, Operador de Câmara, Montador, Jornalista e Escritor.
Fundou
diversas revistas de cinema e espectáculos, entre elas a Plateia, foi director
do jornal “O Benfica” e após o 25 de Abril saneado da RTP.
Baptista
Rosa não desanimou e em 1978, juntamente com Odette de Saint-Maurice, Afonso
Botelho, Aquilino Mendes, Pinheiro de Azevedo (ex-Primeiro Ministro), Tomás
Rosa (ex-Presidente da RTP), Maria Nunes Forte, entre muitos outros, está entre
os fundadores da RTI –Radio Televisão Independente, num período em que ninguém
falava de Televisão privada em Portugal, sendo esta acção denominada por “Um
Projecto de T.V.”
A ideia da necessidade de criação do ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento) nasceu no início dos anos 80, tendo Baptista Rosa participado no Grupo de Trabalho então constituído para o efeito.
“Controverso
e versátil, fascinante e hábil, competente e incansável, Baptista Rosa
permanece – acima de tudo – como uma figura pública de insuperável relevância
entre nós, com prestígio e simpatia um pouco por todo o Mundo que veio a
percorrer”. Baptista Bastos
Faleceu
em Lisboa, aos 57 anos, a 6 de Outubro de 1982.
Tyrone
Power em Portugal (1948) - Realizador
A
Morgadinha dos Canaviais (1949) - Assistente de Realização
Imagens
de Niza (1949-35mm-P/B) - Realização
Sonhar
É Fácil (1951) - Assistente de Realização
I
Exposição de Arte dos Trabalhadores (1952-35mm-P/B) - Supervisão Geral
Moderna
Escultura Portuguesa (1952) - Supervisão Geral
A
I Grande Concentração Nacional de Filarmónicas e Bandas de Música Civis (1952)
- Supervisão Geral
Parque
Desportivo Salazar (1952) - Supervisão Geral
O
Natal na Arte Portuguesa (1954-35mm-P/B) - Realização
Azulejos
de Portugal (1958-35mm-cor) - Realização
Fundo
de Fomento de Exportação (1959-35mm-cor) - Produção e Supervisão Geral
(inacabado)
Como
se Fabrica a Margarina Chefe (1961-16mm-P/B) - Produção e Supervisão Geral
A
Paixão de Cristo na Pintura Antiga Portuguesa (1961-35mm-cor) - Realização,
Planificação e
Montagem
Alfama
à Noite (1962) - Produção e Realização
O
Século (1963-35mm-P/B) - Produção e Supervisão (Inacabado)
Semana
Santa em Óbidos (1963-16mm-P/B) - Realização e Planificação
O
Forcado (1965-16mm-P/B) - Realização e Montagem
Instituto
Nacional de Educação Física (1967-16mm-P/B) - Realização
O Romance do Luachimo – Lunda, Terra de Diamantes (1968-35mm-cor) - Produção, Realização e Montagem
A
Arte dos Povos da Lunda (1969-35mm-cor) - Produção, Realização e Montagem
Cartografia,
Arte e Técnica (1969-35mm-cor) - Realização
Cartografia,
Arte e Ciência (1970-35mm-cor) - Realização
Hello
Jim (1970) - Produção (Prémio Paz dos Reis)
Fundação
Gulbenkian-Doze Anos de Actividade (1972-16mm-P/B) - Produção e Supervisão
Geral
A
Pintura de Vieira da Silva (1972-35mm-cor) - Produção e Realização (Inacabado)
Televisão
Visita
da Rainha Isabel II a Portugal (1956)
Viagem
do Presidente da República, general Craveiro Lopes aos Açores (1957)
Viagem do Presidente da República, general Craveiro ao Brasil (1957)
Morte e Funeral do Papa Pio XII (1958)
Eleição
do Papa João XXIII (1958)
Cinema
(1958)
Exposição
Internacional de Bruxelas (1958)
Inauguração
do Cristo Rei (Lisboa-1959)
Esta
Semana Aconteceu (1959)
Desfile
dos Espectáculos (1959)
Visita
do Ministro da Presidência à Índia (1960)
Visita
do Ministro da Presidência a África (1960)
Festival
de Cinema de Berlim (1960)
Exposição
Henriquina (1960)
O
Forcado (1965)
Cinema
65 (1965)
Óbidos
e a Semana Santa (1966-Representante da RTP no Festival Internacional de
Televisão de
Monte
Carlo)
Cinema
sem Estrelas (1967)
Horizonte
(1967)
Notícias
do Espectáculo
Zip-Zip
(1969) - Guionista
Curto-Circuito
(1970) - Guionista e Produtor
Viagem
do Presidente da República ao Brasil (1972)
Taco-a-Taco
Este
Século em que Vivemos
Volta
a Portugal em Bicicleta (Várias)
Mensagens Natalícias de Militares em serviço na Guiné, Angola, Moçambique e Goa
Condecorações
Medalha
de Mérito Militar (1969)
Grau
de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1972)
Medalha
de Prata de Serviços Distintos (Fevereiro de 1974)
Medalha
de Mérito D. João VI (Rio de Janeiro, 1980)
Como
Júri
Prémio
Itália de Rádio e Televisão (Florença-1970)
XXIV
Festival Internacional de Cinema de Berlim (Julho de 1974)
Festival Internacional do Filme Publicitário de New York (1981)
Prémios
Prémio
Laranja – Área Televisão (1967-Diário Popular)
Prémio
de Imprensa (1968-Horizonte, Programa de Televisão)
Denominação
de Prémio
Prémio Baptista Rosa (1982-Atribuição feita pelo jornal brasileiro “ O Globo”
Livros publicados
Chamava-se
Júlia e Fazia Flores (1984)
Cargos
Chefe
da Divisão de Fotografia e Cinema dos Serviços Cartográficos do Exército
Chefe
de Serviço de Produção Cinematográfica (1959)
Chefe
de Serviço de Programas Especiais (1963)
Adjunto
da Direcção-Geral de Programas da RTP (1969)
Director
da Agência Portuguesa de Revistas
Chefe
de Redacção da Revista “Filmagem”
Director
e Editor da Revista “Imagem” (reaparecimento em 1950)
Director
da Revista “Plateia”
Director
do Semanário “O Benfica” (1969 a 1971)
Colaborador
como Jornalista nos jornais “Diário Popular”, “O Século” e “Diário de Lisboa”,
“Record”, assim como nas Revistas “Eva” e “Século Ilustrado”
Presidente
da Casa do Pessoal da RTP
Correspondente
da BBC, Visnews, Reuter e Révue du Cinéma
Direcção
do Grémio Nacional da Imprensa Não-Diária (1973-1975)
Fontes
Livro “Baptista Rosa”, edição Cinemateca Portuguesa (Coordenação José de Matos-Cruz - 1984); História da Televisão em Portugal (1955/1979) de Vasco Hogan Teves (Editora TV Guia-1998); Nunes Forte (Medalha comemorativa e Livro “Dossier RTI”); Revista Grande Plano da CoopTV; Revista Plateia; Jornal “O Benfica”; Revista Rádio & Televisão, Blogue Santa Nostalgia e memória do biógrafo.
· * Mário
Mendes
– Texto adaptado do que foi publicado no “Alentejo
Ilustrado – Agosto 2025
17.8.25
HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA
Ataque flagrante | cartoon editorial da revista de Domingo do @correiodamanhaoficial - Vasco Gargalo
15.8.25
13.8.25
NISA: Conheça os poetas do concelho (XLVI) - Carlos Alberto Lucas da Silva
Acordar
fascinado
por uma aurora matinal
e sonhar!
Beber
a madrugada
num cálice profano
doce e divinal
e ficar embriagado.
Escutar
o silêncio musical
e a voz dos ribeiros
que declamam poemas
pela boca do vento
ainda molhada
pela saliva dos beijos
que amanhecem
nos lábios apaixonados
a desafiar o desejo
na cama da alvorada.
* Carlos Alberto Lucas da Silva
















.jpg)








