28.8.25

NISA: Conheça os poetas do concelho (XLVIII) - António Borrego


Sentir...sentidos...

O teu sorriso...que se poema...

como o cintilar das estrelas

ou o canto do tentilhão

ou como uma lua cheia de agosto

ainda me pões o peito acelerado

com a "sensação única" que percorre toda a pele

como um rio, que galga as margens

e, invade terrenos...

para além dos limites do seu caudal...(a água não tem limites)...

só o amor excede os limites

só o amor excede o que se vive

e salta, sobre as margens que o comprimem

aventurando-se, em busca da perfeição

que existe no impossível...(onde se esconde o belo)

diz o coração quieto...

da alma inquieta...que sonha...

e, porque te sonho...irrequieto...

nessa busca que busca...um sentido...

para os "sentidos todos"...

que sofrem desejos...

a tua cor dentro do sonho...é azul...

que diz não!!...à morte dos sentidos

e, todos os dias lutamos...para viver impossíveis...

sem gastar o amor...

ainda tenho acesso...ao "quase inaudível"?

ainda poderei ouvir o zumbido da libelinha?

ou este cansaço...é real?...

e, já nem dissipo as nuvens...

onde se esconde "aquele arrepio" gostoso

que brinca ao esconde, esconde...

como as crianças brincam à cabra cega...

e nessa vastidão do sentido, que te invoca...

conseguia/consigo...chegar sempre a ti...

no meio da confusão ouvia/ouvi...a tua voz...

que dizia com doçura

e teimosa excitação...

continua...continua...

A.B. 2017

* Pintura de Virgínia Peleja

26.8.25

OPINIÃO: A minha casinha

 


Todos sabemos que a dificuldade de acesso à habitação é uma das principais preocupações dos portugueses, no entanto, as vendas de casas atingem níveis que não se viam há muito tempo. Estão a ser vendidas mais casas numa altura em que a classe média vive na ansiedade por não as poder comprar. É o chamado paradoxo de que falou o presidente da Caixa Geral de Depósitos. Esta aparente contradição realça a situação complicada que o mercado imobiliário enfrenta, para a qual o Governo parece não ter resposta. Há então que questionar que tendências perversas se escondem por detrás dos bons números de negócios, fazendo com que grande parte da população se sinta excluída do mercado imobiliário. Até ao primeiro trimestre, o valor de vendas totalizou 9,6 mil milhões de euros, o que significou um aumento de 42,9% face ao mesmo trimestre de 2024. Com números semelhantes à bolha imobiliária, o que está diferente? Ao contrário desses anos dourados, em que milhares de casas eram construídas todos os anos, atualmente grande parte das vendas são em segunda mão, dada a escassez de novas construções. Aqui reside o principal problema: sem um aumento do stock imobiliário, o mercado gira em círculos e os preços continuam a subir. A habitação a custos controlados, fator que poderia aliviar as pressões sobre os preços, é insignificante. Perante a inação, as distorções do mercado imobiliário, típicas das grandes cidades, começam agora a espalhar-se por todo o Portugal. Quem tem dinheiro prefere comprar casa como investimento do que colocá-lo nos bancos a juros miseráveis, sendo mais um fator de pressão sobre o preço. E nesta "pescadinha de rabo na boca", vamos chegar a um ponto de rutura geracional dolorosa. Lembrem as minhas palavras. Rutura dolorosa.

·         António José Gouveia – Jornal de Notícias - 25 de agosto, 2025

 

 

 

25.8.25

Alentejo entre os cinco finalistas dos Travelbook Awards 2025 na categoria “Melhor região da Europa para férias em parque de campismo”


 O Alentejo foi nomeado para os Travelbook Awards 2025 na categoria “Melhor região da Europa para férias em parque de campismo”. A região portuguesa integra a lista restrita de cinco finalistas divulgada esta semana pela Travelbook, o maior portal online de viagens na Alemanha, com milhões de leitores mensais e pertencente ao grupo de media Axel Springer.

Os Travelbook Awards distinguem, anualmente, destinos, tendências e experiências de viagem em várias categorias. A lista de finalistas resulta de uma extensa pesquisa editorial, de inquéritos a especialistas e DMO’s, e também da participação dos leitores através das redes sociais. O vencedor final em cada categoria será escolhido pelos leitores, através de uma grande votação online.

A cerimónia de entrega dos prémios terá lugar a 23 de setembro de 2025, em Berlim, reunindo representantes de destinos e marcas de viagem internacionais.

“Estar entre os finalistas dos Travelbook Awards, escolhidos pelo maior portal de viagens da Alemanha, é um reconhecimento muito importante para o Alentejo. Temos feito um forte investimento no campismo e no caravanismo, de que é bom exemplo a aposta na rede de ASA – Áreas de Serviço para Autocaravanas, e este tipo de distinção mostra que estamos no caminho certo para afirmar o Alentejo como um destino de excelência neste segmento”, afirma José Manuel Santos, presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA).

Lançados em 2021, os Travelbook Awards são hoje uma referência no setor turístico alemão, distinguindo anualmente os melhores destinos, hotéis, companhias aéreas e experiências de viagem. Todas as informações sobre edições anteriores estão disponíveis em www.travelbook.de/travelbook-award.

Sobre a Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA):

A Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA) é a entidade responsável pela promoção externa da região do Alentejo enquanto destino turístico de excelência. Com uma estratégia focada na valorização da autenticidade, sustentabilidade e diversidade da oferta turística, a ARPTA trabalha em estreita colaboração com agentes públicos e privados para posicionar o Alentejo nos principais mercados internacionais. A sua missão é reforçar a notoriedade do território, atrair visitantes de elevado valor acrescentado e fomentar o desenvolvimento económico e social da região através do turismo.

PALESTINA VIVE: Soldado que participou no genocídio organiza festival israelita em Portugal esta semana

De 28 de agosto a 1 de setembro, a Aldeia da Pena (São Pedro do Sul) acolherá o festival “Anta Gathering”, um encontro psytrance onde os organizadores, a produção, o proprietário do terreno, artistas e outras entidades associadas são, quase exclusivamente, israelitas sionistas.

 O encontro é organizado pelos irmãos Shahar Pierre Bickel e Dean Bickel, que irão também participar enquanto músicos, sob os nomes artísticos Fat Cat e Bickeloz, respetivamente.

 Shahar Bickel,  o principal organizador, é um soldado reservista que regressou a Israel em outubro de 2023, quando Israel iniciava o genocídio em Gaza, para se alistar no exército de ocupação, tendo cumprido serviço militar pelo menos até dezembro desse ano. Shahar é soldado no batalhão “Sayeret Nahal”, uma unidade das forças especiais e de reconhecimento integrada na brigada Nahal. Os seus soldados são conhecidos como os “Corvos de Nahal”.

 Em maio de 2025, em plena campanha de utilização da fome como arma de guerra, Shahar promoveu uma festa do dia da “independência” de Israel, onde se celebrou a Nakba e o atual genocídio em Gaza. Essa festa foi organizada pela produtora israelita “Fusion Culture”, que fará um showcase musical no “Anta Gathering”, apresentando 5 artistas israelitas do seu catálogo.

 O encontro terá lugar num terreno propriedade de Yotam Ittah, primo dos organizadores. Yotam adquiriu esse terreno para nele construir um centro de retiros, yoga e meditação, que pudesse acolher encontros como o “Anta Gathering”.

 A cultura psicadélica em Portugal não pode ser um porto seguro para quem cometeu crimes de guerra e contra a humanidade. Não aceitamos o livre trânsito em Portugal de quem pratica, apoia, relativiza ou normaliza estes crimes.

 Não são bem-vindos!

Apelamos a um boicote total a este evento de normalização e de acolhimento de criminosos e de apologistas de crimes de guerra e contra a humanidade. Exortamos todos os que estiverem a colaborar neste evento, incluindo cidadãos e empresas portuguesas, a terminarem de imediato essa associação.

Comité de Solidariedade com a Palestina

https://bdsportugal.org/

palestinavence.blogs.sapo.pt

MARVÃO: Festa em Honra de Nossa Senhora da Estrela


| Feriado Municipal

📍 Marvão

 8 de Setembro

ARRONCHES: Estudo ‘Artérias Sãs’ convida população a efetuar exame de saúde


Sessões de Diagnóstico da Doença Arterial Periférica já iniciaram e os interessados poderão realizar o rastreio gratuitamente no Centro Cultural de Arronches.

A ELCOS – Sociedade Portuguesa de Feridas encontra-se atualmente a desenvolver um importante estudo de saúde pública denominado ‘Artérias Sãs – Diagnóstico da Doença Arterial Periférica na População de Arronches’, uma ação que decorre no âmbito do protocolo celebrado entre a referida instituição e a autarquia local.

Este é um estudo pioneiro a nível nacional e que tem como objetivo identificar e acompanhar casos de Doença Arterial Periférica em utentes com idade igual ou superior a 50 anos. A Doença Arterial Periférica é mais frequente a partir dos 55 anos de idade e, em muitos casos, evolui “silenciosamente”, ou seja, sem sintomas evidentes, podendo gerar complicações cardiovasculares graves.

Esta ação, cujos rastreios iniciaram nesta terça-feira, dia 19 de agosto, encontra-se a ser levada a efeito no Centro Cultural de Arronches todas as terças-feiras, das 14H30 às 17H00 e sábados, das 10H00 às 13H00 e das 14H00 às 16H00. Estas sessões serão também efetuadas nas freguesias de Esperança e Mosteiros, com o Município a comunicar oportunamente as datas e os locais das mesmas. Os interessados deverão fazer a marcação do seu rastreio na Câmara Municipal de Arronches, presencialmente ou através do contacto telefónico 245 580 080. A sua participação é voluntária e gratuita, sendo apenas necessário assinar um Termo de Consentimento Informado.

De realçar que o rastreio é realizado por meio do Índice Tornozelo-Braço, um exame de execução rápida, simples e não invasivo, que permite avaliar a circulação sanguínea nos membros inferiores. Todos os participantes receberão de imediato o resultado do exame, bem como orientações para procurar aconselhamento médico, caso sejam detetados valores sugestivos de Doença Arterial Periférica.

 

24.8.25

OPINIÃO: Debater as leis laborais


De certa forma andamos distraídos com algumas propostas de alteração à legislação laboral que foram apresentadas há pouco tempo pelo Governo.

Há alguns anos, para chegar ao ponto em que estamos hoje, enfrentamos um longo debate. Frente a frente estavam duas visões contrárias: por um lado, a versão de que a flexibilização (era essa a palavra-chave na altura) era essencial para a modernização do mercado de trabalho e para o desenvolvimento do país; por outro, os alertas de que a precarização que era defendida significava um ataque aos direitos da parte mais frágil da equação: o trabalhador.

Hoje, discutimos (se calhar, menos do que devíamos) uma nova alteração à legislação laboral e um novo avanço da visão que considera a flexibilização essencial para o desenvolvimento.

Neste debate, que não parece acompanhado da atenção que merece, não podemos esquecer duas ideias-chave: o trabalhador é sempre a parte mais fraca e cabe ao Governo exercer um papel que equilibre esse peso diferenciado.

Devemos debater estas propostas sem nunca esquecer o panorama global e não nos deixarmos enganar por discussões marginais.

Sobretudo, devemos insistir num ponto essencial: trabalhadores e empresas não estão no mesmo patamar de direitos com forças equivalentes.

Sendo importante modernizar a legislação, adaptando-a ao funcionamento do trabalho atual - e há muito a fazer neste campo -, não devemos permitir que sob essa capa se tome a parte pelo todo e se retirem direitos essenciais com a desculpa do combate aos abusos.

E esta é outra regra básica que não pode ser esquecida: o combate aos abusos não pode nunca servir para justificar a retirada de direitos.

Nuno Marques – Jornal de Notícias - 18 de agosto, 2025

 

23.8.25

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Meia culpa - Cartoon de Henrique Monteiro in https://henricartoon.blogs.sapo.pt

21.8.25

NISA: Luís Palheta é o cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal

O Dr. Luís Palheta, advogado, professor universitário e Cônsul Honorário de Portugal em Tours, França, é o cabeça de lista do PSD, nas próximas eleições autárquicas, à Assembleia Municipal de Nisa.

A candidatura de Luís Palheta reforça os laços entre a diáspora portuguesa e a sua terra natal. Natural de Nisa, no Alto Alentejo, e residindo em França desde a infância, o Dr. Palheta construiu uma carreira notável e tem sido um embaixador ativo de Portugal no estrangeiro. A sua experiência e dedicação são evidentes em projetos como a criação do "Portuguese Business Club", uma associação de empresários portugueses em Tours, que visa fortalecer as relações económicas entre a região de Touraine e as empresas lusófonas.

Recentemente, a cidade do Porto reconheceu o seu trabalho ao condecorá-lo com a Medalha de Mérito Municipal. Esta distinção deve-se aos seus esforços na promoção da ligação aérea entre Tours e Porto e no fomento das relações económicas e culturais entre as duas cidades.

A sua vasta experiência profissional, incluindo a especialização em Direito do Trabalho e o seu papel como professor universitário, permitiu-lhe abraçar a missão de Cônsul Honorário de Portugal em Tours. Nesta função, tem representado o país em eventos culturais e económicos, com especial foco no desenvolvimento das relações bilaterais entre Portugal e França.

Foi condecorado pelo Presidente da Republica na embaixada de Paris com a Ordem de Mérito, em Fevereiro de 2022.

A candidatura de Luís Palheta à Assembleia Municipal de Nisa surge como um sinal claro do seu compromisso em contribuir para o desenvolvimento da sua terra natal, aplicando os conhecimentos e a rede de contactos que construiu ao longo da sua vida em França.


19.8.25

SAÚDE: O silêncio mortal do Cancro do Pulmão: não podemos continuar a ignorar os sinais


A incidência do Cancro do Pulmão, tem vindo a aumentar rapidamente nos últimos 100 anos sendo, atualmente é uma das doenças oncológicas mais diagnosticadas em todo o mundo e a principal causa de morte por cancro a nível mundial.

A elevada letalidade do Cancro do Pulmão é devida ao seu diagnóstico tardio e à má resposta ao tratamento nos casos de doença avançada. Cerca de 70 a 80% dos casos de Cancro do Pulmão ainda são diagnosticados em estadio localmente avançado ou metastizado, situação em que não há terapêutica curativa. Mesmo com os avanços de diagnóstico nesta área, as pessoas com Cancro do Pulmão continuam a chegar aos centros de diagnóstico e terapêutica dos Hospitais em fase avançada da doença que não permite terapêutica curativa.

O diagnóstico tardio do Cancro do Pulmão está relacionado, com o facto de os sintomas se podem confundir com os sintomas de bronquite ou uma infeção respiratória arrastada, dores ósseas degenerativas, etc.

Embora a idade média de aparecimento de Cancro do Pulmão se situe nos 72 anos, esta não é apenas uma doença de idosos. Há um elevado número de mortos abaixo dos 65 anos e, os casos em pessoas com menos de 45 anos têm vindo a ser cada vez mais frequentes.

A percentagem de pessoas que não fumaram, mas que têm Cancro do Pulmão tem vindo a aumentar, rondando atualmente os 20%. O número de mulheres com Cancro do Pulmão tem vindo a aumentar devido ao aumento de mulheres fumadoras e também a alterações genéticas causadoras de cancro.

Idade mais baixa, sexo feminino e o facto de não ser fumador, que eram considerados anteriormente indicadores de muito baixa probabilidade de ter cancro do pulmão, já não podem ser considerados como tal.

Sintomas como tosse com ou sem expetoração, falta de ar, farfalheira ou com cansaço, dores no peito, dores ósseas, dores de cabeça, falta de apetite, emagrecimento sem causa aparente, alterações nos dedos, podem ser devidos a cancro do pulmão.

A primeira vez em que eu achei que tinha salvo uma pessoa de morrer de cancro do pulmão, ainda não estava a trabalhar na área do cancro do pulmão. O dono de uma loja perto de casa, um grande fumador, apresentava unhas em baqueta de tambor, uma das síndromes para neoplásicos do cancro do pulmão. Quando vi as unhas desse senhor, referenciei-o a uma consulta de pneumologia, e, para tornar uma história grande curta, ele foi operado e sobreviveu ao cancro do pulmão.

O rastreio do cancro do pulmão, muito falado atualmente, vai chegar e aumentar o número de cancros diagnosticados em situação curável. Há inúmeras novas terapêuticas que permitem um aumento da sobrevida das pessoas com cancro do pulmão.

Mas continua a ser fundamental um diagnóstico atempado e para isso é importante que todos estejamos atentos à possibilidade do diagnóstico de Cancro do Pulmão, médicos e população em geral. O aparecimento de tosse sem causa aparente ou com duração de mais de uma semana, sangue na expetoração, cansaço inexplicável, dores persistentes, cefaleias, são sintomas que devem levar à consulta do médico assistente com suspeita de Cancro de Pulmão.

Teresa Almodôvar, Diretora do Serviço de Pneumologia do IPO de Lisboa

NISA: Conheça os poetas do concelho (XLVII) - F. Bagulho


NOVO ALTAR 

(“Nova Iorque, 17 – Celebrou-se uma missa entre Colónia (Alemanha) e Shannon (Irlanda), num avião da Lufttansa... (Do “Diário de Notícias)

 

O homem, cansado já da escravidão

A que a terra, há milénios, o sujeita,

Resolve emancipar-se e a hora espreita

Da nobre, desejada redenção.

 

Novo Ícaro, voar, é a ambição

Da sua mente ousada, insatisfeita!

Assim, teimoso e audaz, tudo aproveita

Que do problema ajude a solução;

 

E um dia, enfim, depois de luta insana,

Viu seu esforço coroado! A águia humana,

Com segurança, agora, sulca os céus,

 

Nimbada pelo resplendor da glória;

E exultante, feliz com a vitória,

Ergue no azul, um novo altar a Deus.

F. Bagulho

18.8.25

CASTELO DE VIDE: A Banda União Artística celebra 144 anos!


Ao comemorar esta célebre data, a Banda União Artística promove um Concerto de Aniversário!

📅 23 de agosto

🕡 18h30

📍 Parque João José da Luz – Castelo de Vide


CENTENÁRIO: De Nisa para a moviola, o percurso singular de Baptista Rosa

 


Foi preciso vestir a farda de tenente para abrir a porta da carruagem e filmar a Rainha Isabel II num plano que nenhum protocolo previa. João Emílio Baptista Rosa tinha esse dom raro: o de chegar antes dos outros e captar o instante com arte, empenho e desassombro.

João Emílio Baptista Rosa nasceu em Nisa a 18 de Agosto de 1925. Filho de comerciantes, foi para Lisboa para estudar Direito e depois Letras, cursos que trocou por uma paixão maior: o cinema.

As conversas com amigos nas tertúlias lisboetas do Palladium e nos estúdios da Tóbis, a par das leituras e colaboração em jornais e revistas ligadas à arte cinematográfica, mais cimentaram o fascínio por uma arte que despontava em Portugal: o cinema.

Na qualidade de colaborador da Revista “Animatógrafo”, com direcção de António Lopes Ribeiro (1933/1941), Baptista Rosa escrevia as suas crónicas e críticas sobre o Cinema que se fazia naquela época.

Em 1941 estava como estagiário no filme “O Pai Tirano”, realizado por António Lopes Ribeiro, e, logo de seguida no filme “O Pátio das Cantigas”, realizado por Francisco Ribeiro (Ribeirinho).

Com a experiência adquirida rumou a Espanha (Madrid) no ano de 1946, tendo, então, trabalhado com o cineasta húngaro Ladislao Vajda, o qual foi durante a época de 40 e 50 um elemento fundamental do cinema espanhol, destacando-se, para o efeito, um filme que marcou a juventude Ibérica e da América Latina, “Marcelino, Pão e Vinho”.

Fundou e dirigiu a revista IMAGEM de 1954 a 1959, a qual se dedicava à divulgação da actividade cinematográfica.

A visita da Rainha Isabel II a Portugal em 1956 foi um marco fundamental do contributo de Baptista Rosa para a história do Cinema e Televisão no nosso país e que fica bem expresso no depoimento sobre este evento de Augusto Cabrita presente no Livro “50 Anos da RTP”, da autoria de Vasco Hogan Teves:

“Foram mobilizados para cobrir o acontecimento todos os ‘cameramen’ possíveis deste País” – relembrava Augusto Cabrita, acrescentando: “E eu, como só possuía máquinas fotográficas, tive que comprar à pressa uma reluzente e magnífica ‘Paillard-Reflex’. (...) O Baptista Rosa na sua farda de tenente do Exército, filmava, em grande plano, a chegada da Rainha junto ao Cais das Colunas. Eu (em ‘plongée’...), do cimo do Arco da Rua Augusta, fazia os planos de conjunto. O José Manuel Tudela, o Carlos Tudela, o Serras Fernandes, o Adriano Nazareth, o Vítor Manuel, o João Martins, o António Cunha Teles, o Walter Sampaio, o António Bernardo, o Artur Moura... e os outros membros da equipa espalhavam-se por sítios estratégicos da cidade até Queluz... Mas, após os planos de conjunto feitos do meu poleiro, ainda me lembrei de fazer um ‘extra’ (fora da planificação) que foi descer à pressa a escadaria e achar-me ao nível da rua a tempo de enquadrar Craveiro Lopes e Isabel II sob o Arco, e segui-los, numa correria doida, de máquina em punho, passando pelo Rossio, Restauradores, subir a Avenida e chegar ao Marquês, exausto como o corredor da Maratona...

Tirando o máximo partido da sua farda de oficial, Baptista Rosa infiltrou-se por quantos sítios foi possível para apanhar as melhores imagens. Quebrou alguns protocolos, mas, graças a isso, impressionou uns tantos metros de filme com imagens que ninguém mais conseguiu. Como, por exemplo, aquela do interior do coche, com os sorrisos de Isabel e Craveiro (e sabe-se como era difícil fazê-lo sorrir) em primeiríssimo plano, enquanto os seguranças, aturdidos , só se aperceberam do que se passara quando já nada podiam fazer. É que o Baptista Rosa fora demasiado rápido a abrir a porta da carruagem e a assestar a objectiva.”

No livro “Baptista Rosa”, uma edição de 1984 da Cinemateca Portuguesa, com a organização literária de José Matos-Cruz, pode ler-se na introdução: “Na galeria de autênticos profissionais do Cinema Nacional, Baptista Rosa ocupa uma posição atípica e singular. Pela sua multifacetada capacidade como técnico, pela viva experiência enquanto escritor e repórter, pelo carácter específico das Obras que assinou.

Dividido entre afazeres e apetências, distribuindo-se por áreas e motivações frequentemente insuspeitáveis, Baptista Rosa dedicou décadas – o melhor esforço aos Serviços Cartográficos do Exército e à Radiotelevisão Portuguesa.”

Um Amor Entre Cinema e Televisão

Na obra citada, Luís de Pina, então Director da Cinemateca, escrevia:

“Conheci Baptista Rosa durante a fase heróica da Radiotelevisão Portuguesa, aí pelo ano de 1958.

Sentado a uma moviola de 16mm, com os olhos cravados nas imagens e as mãos crispadas nos comandos da máquina, utilizava um método muito pouco ortodoxo mas ainda hoje seguido, pendurando os planos do filme no pescoço, à medida que a sequência ia sendo alinhavada.

Era aquele, na verdade, o seu elemento. Mais repórter do que escritor, mais à vontade na montagem do que na realização, a tendência habitual do seu espírito fadava-o para a curiosidade insaciável por todas as pessoas e por todas as coisas. Se escrever é pensar com os dedos, como dizia um grande Jornalista, Baptista Rosa servia-se dos olhos para nos revelar o grande espectáculo, o grande Cinema da vida. A câmara e a moviola eram as companheiras de todas as horas”.

Baptista Rosa trabalhou nos Serviços Cartográficos do Exército onde atingiu o posto de tenente- coronel. Ao longo da sua curta vida, foi Guionista, Realizador, Produtor, Actor, Operador de Câmara, Montador, Jornalista e Escritor.

Fundou diversas revistas de cinema e espectáculos, entre elas a Plateia, foi director do jornal “O Benfica” e após o 25 de Abril saneado da RTP.

Baptista Rosa não desanimou e em 1978, juntamente com Odette de Saint-Maurice, Afonso Botelho, Aquilino Mendes, Pinheiro de Azevedo (ex-Primeiro Ministro), Tomás Rosa (ex-Presidente da RTP), Maria Nunes Forte, entre muitos outros, está entre os fundadores da RTI –Radio Televisão Independente, num período em que ninguém falava de Televisão privada em Portugal, sendo esta acção denominada por “Um Projecto de T.V.”

A ideia da necessidade de criação do ANIM (Arquivo Nacional das Imagens em Movimento) nasceu no início dos anos 80, tendo Baptista Rosa participado no Grupo de Trabalho então constituído para o efeito.

“Controverso e versátil, fascinante e hábil, competente e incansável, Baptista Rosa permanece – acima de tudo – como uma figura pública de insuperável relevância entre nós, com prestígio e simpatia um pouco por todo o Mundo que veio a percorrer”. Baptista Bastos

Faleceu em Lisboa, aos 57 anos, a 6 de Outubro de 1982.

 Filmografia

Tyrone Power em Portugal (1948) - Realizador

A Morgadinha dos Canaviais (1949) - Assistente de Realização

Imagens de Niza (1949-35mm-P/B) - Realização

Sonhar É Fácil (1951) - Assistente de Realização

I Exposição de Arte dos Trabalhadores (1952-35mm-P/B) - Supervisão Geral

Moderna Escultura Portuguesa (1952) - Supervisão Geral

A I Grande Concentração Nacional de Filarmónicas e Bandas de Música Civis (1952) - Supervisão Geral

Parque Desportivo Salazar (1952) - Supervisão Geral

O Natal na Arte Portuguesa (1954-35mm-P/B) - Realização

Azulejos de Portugal (1958-35mm-cor) - Realização

Fundo de Fomento de Exportação (1959-35mm-cor) - Produção e Supervisão Geral (inacabado)

Como se Fabrica a Margarina Chefe (1961-16mm-P/B) - Produção e Supervisão Geral

A Paixão de Cristo na Pintura Antiga Portuguesa (1961-35mm-cor) - Realização, Planificação e

Montagem

Alfama à Noite (1962) - Produção e Realização

O Século (1963-35mm-P/B) - Produção e Supervisão (Inacabado)

Semana Santa em Óbidos (1963-16mm-P/B) - Realização e Planificação

O Forcado (1965-16mm-P/B) - Realização e Montagem

Instituto Nacional de Educação Física (1967-16mm-P/B) - Realização

O Romance do Luachimo – Lunda, Terra de Diamantes (1968-35mm-cor) - Produção, Realização e Montagem

A Arte dos Povos da Lunda (1969-35mm-cor) - Produção, Realização e Montagem

Cartografia, Arte e Técnica (1969-35mm-cor) - Realização

Cartografia, Arte e Ciência (1970-35mm-cor) - Realização

Hello Jim (1970) - Produção (Prémio Paz dos Reis)

Fundação Gulbenkian-Doze Anos de Actividade (1972-16mm-P/B) - Produção e Supervisão Geral

A Pintura de Vieira da Silva (1972-35mm-cor) - Produção e Realização (Inacabado)

Televisão

Visita da Rainha Isabel II a Portugal (1956)

Viagem do Presidente da República, general Craveiro Lopes aos Açores (1957)

Viagem do Presidente da República, general Craveiro ao Brasil (1957)

Morte e Funeral do Papa Pio XII (1958)

Eleição do Papa João XXIII (1958)

Cinema (1958)

Exposição Internacional de Bruxelas (1958)

Inauguração do Cristo Rei (Lisboa-1959)

Esta Semana Aconteceu (1959)

Desfile dos Espectáculos (1959)

Visita do Ministro da Presidência à Índia (1960)

Visita do Ministro da Presidência a África (1960)

Festival de Cinema de Berlim (1960)

Exposição Henriquina (1960)

O Forcado (1965)

Cinema 65 (1965)

Óbidos e a Semana Santa (1966-Representante da RTP no Festival Internacional de Televisão de

Monte Carlo)

Cinema sem Estrelas (1967)

Horizonte (1967)

Notícias do Espectáculo

Zip-Zip (1969) - Guionista

Curto-Circuito (1970) - Guionista e Produtor

Viagem do Presidente da República ao Brasil (1972)

Taco-a-Taco

Este Século em que Vivemos

Volta a Portugal em Bicicleta (Várias)

Mensagens Natalícias de Militares em serviço na Guiné, Angola, Moçambique e Goa

Condecorações

Medalha de Mérito Militar (1969)

Grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1972)

Medalha de Prata de Serviços Distintos (Fevereiro de 1974)

Medalha de Mérito D. João VI (Rio de Janeiro, 1980)

Como Júri

Prémio Itália de Rádio e Televisão (Florença-1970)

XXIV Festival Internacional de Cinema de Berlim (Julho de 1974)

Festival Internacional do Filme Publicitário de New York (1981)

Prémios

Em Nisa (1975) na festa de "Artilheiros" - 50 anos

Prémio Laranja – Área Televisão (1967-Diário Popular)

Prémio de Imprensa (1968-Horizonte, Programa de Televisão)

Denominação de Prémio

Prémio Baptista Rosa (1982-Atribuição feita pelo jornal brasileiro “ O Globo”

Livros publicados

Chamava-se Júlia e Fazia Flores (1984)

Cargos

Chefe da Divisão de Fotografia e Cinema dos Serviços Cartográficos do Exército

Chefe de Serviço de Produção Cinematográfica (1959)

Chefe de Serviço de Programas Especiais (1963)

Adjunto da Direcção-Geral de Programas da RTP (1969)

Director da Agência Portuguesa de Revistas

Chefe de Redacção da Revista “Filmagem”

Director e Editor da Revista “Imagem” (reaparecimento em 1950)

Director da Revista “Plateia”

Director do Semanário “O Benfica” (1969 a 1971)

Colaborador como Jornalista nos jornais “Diário Popular”, “O Século” e “Diário de Lisboa”, “Record”, assim como nas Revistas “Eva” e “Século Ilustrado”

Presidente da Casa do Pessoal da RTP

Correspondente da BBC, Visnews, Reuter e Révue du Cinéma

Direcção do Grémio Nacional da Imprensa Não-Diária (1973-1975)

Fontes

Livro “Baptista Rosa”, edição Cinemateca Portuguesa (Coordenação José de Matos-Cruz - 1984); História da Televisão em Portugal (1955/1979) de Vasco Hogan Teves (Editora TV Guia-1998); Nunes Forte (Medalha comemorativa e Livro “Dossier RTI”); Revista Grande Plano da CoopTV; Revista Plateia; Jornal “O Benfica”; Revista Rádio & Televisão, Blogue Santa Nostalgia e memória do biógrafo.

·       * Mário Mendes

 – Texto adaptado do que foi publicado no “Alentejo Ilustrado – Agosto 2025

17.8.25

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA


Ataque flagrante | cartoon editorial da revista de Domingo do @correiodamanhaoficial - Vasco Gargalo

13.8.25

NISA: Conheça os poetas do concelho (XLVI) - Carlos Alberto Lucas da Silva

 


  ACORDAR 

Acordar

fascinado

por uma aurora matinal

e sonhar!

 

Beber

a madrugada

num cálice profano

doce e divinal

e ficar embriagado.

 

Escutar

o silêncio musical

e a voz dos ribeiros

que declamam poemas

pela boca do vento

ainda molhada

pela saliva dos beijos

que amanhecem

nos lábios apaixonados

a desafiar o desejo

 

na cama da alvorada.

* Carlos Alberto Lucas da Silva