22.2.26

NISA: Memória histórica - Saúde e Sociedade


 O Arquivo Histórico de Nisa, durante anos existente na Biblioteca Municipal e hoje em parte "incerta", ou pelo menos fora do alcance dos munícipes e investigadores, alberga um importante acervo sobre a História de Nisa e do seu concelho. Documentos que retratam social e politicamente várias épocas e que seria de todo o interesse estar aberto à curiosidade e investigação de todas as pessoas interessadas. Mas, a fazer fé, na religiosa política de "continuidade" do actual edil luso-francês, não será esperar que nos tempos mais próximos, algo mude para tudo ficar na mesma. O que é lamentável e vergonhoso quando, por todo o país e até com exemplos do próprio Estado, a abertura e fruição desses autênticos viveiros culturais sejam incentivados como um caminho para um melhor conhecimento do país onde nascemos e vivemos.  De alguns elementos recolhidos há já uns bons anos respigamos algumas Curiosidades. 

Moléstias venéreas (I) - Do Administrador do Concelho

Carta ao Dr. João Moraes, Facultativo Municipal do Crato e que presta serviço em Toloza

Tendo recebido queixa n´esta Administração de que Genoveva Romão *, solteira, da Villa de Toloza d´este Concelho, se acha atacada de molestia venerea e que contaminou a menor Maria Isabel *, de 6 annos de edade, filha de João Caldeira *, casado, carpinteiro da mesma Villa, vou rogar a Vª Exª se digne examinar as pessoas a que me refiro e communicar-me com a brevidade possivel o que ha de verdade sobre tal molestia.

Deus guarde a Vª Exª / Niza, 22 de fevereiro de 1901

* Estes nomes são fictícios

Moléstias venéreas (II)

Carta ao Delegado do Procurador Regio n´esta Comarca

Para os fins convenientes tenho a honra de passar às mãos de Vª Exª o incluso auto de noticia. N´esta data officio ao Snr. Facultativo, Dr. Moraes que presta serviço clinico em Toloza, a fim de me informar se a arguida e a menor Maria Isabel a que se refere o mesmo auto, estão ou não contaminadas de molestia venerea. Da informaçãoque obtiver darei conta a Vª Exª.

Deus guarde Vª Exª. / Niza, 22 de fevereiro de 1901.

 Apanhado a armar ferros

Carta ao Delegado do Procurador Regio n´esta Comarca

De harmonia com o preceituado no artigo 278 nº 27 do Codigo Administrativo, cumpre-me participar a Vª Exª que Jose Constança *, solteiro, pastor, ao serviço de Manoel da Martinha foi encontrado no dia 17 por 7 horas da tarde no sitio denominado barroca do Valle Louro freguezia do Espirito Santo d´esta Villa, a armar trez ferros ou armadilhas aos coelhos, que n´essa ocasião lhe foram apprehendidos. Os apprehensores são Jose Maria Nunes e Jose da Cruz Miguens, cabos de policia e guardas da Associação protectora da caça em tempo defezo. Com este meu officio serão apresentados a Vª Exª os trez ferros apprehendidos. O arguido é natural d´esta Villa.

Deus guarde a Vª Exª. / Niza, 19 de Abril de 1901

* Nome fictício

Toleradas

Carta ao Sub-Delegado de Saude n´este Concelho

Accusada a recepção do officio que Vª Exª se dignou dirigir-me datado de 27 do corrente mez, cumpre-me dizer-lhe que não existindo n´esta Administração matricula ou qualquer registo de toleradas d´este Concelho, e, não indicando Vª Exª os nomes das pessoas que deseja inspeccionar torna-se-me completamente impossivel dar cumprimento ao citado officio de Vª Exª.

Deus guarde a Vª Exª. / Niza, 30 de Abril de 1901