27.5.21

Vila Velha de Ródão denuncia início da atividade na central termoelétrica

A Câmara de Vila Velha de Ródão denunciou à Direção-Geral de Energia e Geologia o reinício da atividade da central termoelétrica da Bioenergy, mas a administração da empresa nega e fala em testes de manutenção.
Numa carta a que a agência Lusa teve hoje acesso, dirigida ao diretor-geral da Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o município de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, refere que na sexta-feira, 21 de maio, verificou que a empresa "reiniciou a sua atividade normal e que à data de hoje [terça-feira] se encontra a laborar, situação que se constata pela libertação das emissões gasosas nos dois emissários que a empresa detém".
A autarquia pede ainda informação sobre o despacho da DGEG, emitido em 08 de março, que determinou a suspensão da atividade da empresa e quer saber se este "já não se encontra em vigor", e, em caso afirmativo, solicita informação sobre os "fundamentos da sua revogação".
A DGEG, através de um despacho de 08 de março, determinou "a suspensão dos efeitos da licença de exploração atribuída à central termoelétrica da Bioenergy - Sociedade de Produção de Energia, S.A. pelo prazo de sete meses a contar da data de notificação do despacho, que se converterá em revogação da licença caso a fiscalização a realizar ateste a manutenção de irregularidades".
O documento, assinado pelo diretor-geral João Bernardo, refere que "a suspensão poderá cessar antes do prazo fixado ou prolongar-se", caso "as medidas necessárias sejam adotadas antecipadamente ao prazo fixado ou caso seja necessário prorrogação daquele prazo para a respetiva adoção".
À Lusa, o administrador da central termoelétrica da Bioenergy disse que a empresa "está a realizar testes de manutenção".
"O equipamento está parado há cerca de 80 dias. É imenso tempo e é preciso fazer a sua manutenção", afirmou Nuno Carvalho.
Este responsável adiantou ainda que se encontra à espera de "luz verde" da DGEG para a central termoelétrica retomar o seu normal funcionamento.
Recentemente, a Comissão de Trabalhadores da central termoelétrica da Bioenergy manifestou a sua preocupação com a impossibilidade de a empresa laborar.
Numa carta dirigida ao diretor-geral da DGEG, os trabalhadores mostraram-se apreensivos com a impossibilidade da empresa "produzir energia, sua única fonte de rendimentos, o que deixa todos muito preocupados com a manutenção dos postos de trabalho".
"Infelizmente, não temos tido por parte das autoridades políticas locais e nacionais qualquer contacto, nem ouvimos da parte dos mesmos qualquer palavra de conforto ou sossego. Não sentimos qualquer preocupação com os trabalhadores da fábrica, com os nossos postos de trabalho e com as nossas famílias. Ao longo dos últimos tempos sentimo-nos completamente abandonados", lê-se na missiva.
Segundo a Comissão de Trabalhadores, na totalidade, dependem da empresa mais de 90 colaboradores diretos e todo o setor do azeite "será impedido de laborar", caso a empresa "não consiga operar com normalidade".

Centro de Convívio de Sarnadas de Ródão já abriu ao público

 

O Centro de Convívio de Sarnadas de Ródão abriu ao público na segunda-feira, 3 de maio, com uma cerimónia de inauguração que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira, e do presidente da Junta de Freguesia de Sarnadas de Ródão, Vergílio Pires, entidades responsáveis pelas obras de remodelação e adaptação do edifício da antiga escola primária da aldeia para este novo fim.
Atualmente com 20 inscritos residentes na freguesia, o novo espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 09h às 18h, e oferece aos utentes a possibilidade de realizarem diversas atividades, que vão da atividade física à música, estimulação cognitiva ou jogos tradicionais, de forma sequenciada e não simultânea, de modo a garantir o cumprimento das normas de segurança recomendadas pela Direção Geral de Saúde. 
Para tal, contam com o apoio dos funcionários do serviço de Ação Social e Desporto da Câmara Municipal e do projeto CLDS 4G de Vila Velha de Ródão, responsáveis pelo apoio ao funcionamento e dinamização das atividades.
“Este é um projeto que resultada da união dos esforços da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Sarnadas de Ródão que muito nos orgulha. Espero que a população da freguesia possa usufruir deste espaço por muito tempo e que aqui encontre um porto de abrigo e bem-estar, que ajude a combater o isolamento e forneça o apoio que necessitam”, destacou o presidente da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, Luís Pereira.
A decisão de transformar a antiga escola primária da aldeia num Centro de Convívio surgiu na sequência do anúncio do encerramento do Centro de Dia daquela localidade pela Santa Casa da Misericórdia de Vila Velha de Ródão, em finais de 2019, situação que confrontou os idosos desta freguesia com a alternativa de se deslocarem para outros centros de dia fora da freguesia e o abandono das suas aldeias e do ambiente familiar.
As obras de que o edifício foi alvo, uma intervenção promovida por administração direta pelo município, permitiram dotar a antiga escola de melhores condições de acessibilidade, conforto e segurança e conduziram à uniformização do piso térreo, de modo a eliminar desníveis e degraus. Foi contemplada ainda a adaptação das instalações sanitárias, a melhoria das condições de climatização do edifício e a instalação de mobiliário geriátrico adequado às novas funções do espaço, agora ao dispor da população.


25.5.21

SEGURANÇA RODOVIÁRIA: Campanha “Ao volante, o telemóvel pode esperar”

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia de Segurança Pública (PSP) lançam amanhã, dia 25 de maio, a Campanha de Segurança Rodoviária “Ao volante, o telemóvel pode esperar” inserida no Plano Nacional de Fiscalização de 2021.
A decorrer entre os dias 25 a 31 de maio, a campanha tem como objetivo alertar os condutores para as consequências negativas e mesmo fatais do uso indevido do telemóvel durante a condução. Na última campanha sobre este tema, efetuada de 23 de fevereiro a 1 de março de 2021, as Forças de Segurança fiscalizaram 73.544 veículos tendo registado 1.164 infrações relativas ao manuseamento do telemóvel durante a condução, o que correspondeu a uma taxa de infração de 1,58%, numa média de 166 infrações por dia.
Estudos científicos equiparam o uso indevido do telemóvel à condução sob o efeito do álcool, com consequências muito parecidas na atenção e na capacidade de reação. Com o intuito de reduzir este comportamento, as alterações ao Código da Estrada, em vigor desde 8 de janeiro deste ano, duplicaram os valores das coimas, tendo passado os seus limites para €250 a €1.250, com subtração de 3 pontos na carta em vez dos 2, anteriormente previstos.
A campanha “Ao volante, o telemóvel pode esperar” integrará:
§  Ações de sensibilização da ANSR;
§  Operações de fiscalização, pela GNR e pela PSP, com especial incidência para vias e acessos com elevado fluxo rodoviário, de forma a contribuir para a diminuição do risco de ocorrência de acidentes e para a adoção de comportamentos mais seguros por parte dos condutores no que tange à utilização de aparelhos eletrónicos.
As ações de sensibilização ocorrerão em simultâneo com operações de fiscalização nas seguintes localidades:
§  Dia 25 de maio, às 9h00:  Avenida 24 de Julho – Cais do Sodré, Lisboa;
§  Dia 26 de maio, às 9h00: EN1, Km 387 – Rotunda do Picoto, Porto;
§  Dia 27 de maio, às 10h00: Avenida do Meio, Viana do Castelo;
§  Dia 28 de maio, às 9h00: Rotunda da Força Aérea – Av. General Carrilho da Silva Pinto, Braga;
§  Dia 31 de maio, às 10h00: Avenida 1.º de Maio – Rotunda das Paivas – Amora, Setúbal.
A ANSR, a GNR e a PSP relembram que o uso do telemóvel ao volante é perigoso e apelam a todos que evitem este comportamento:
§  A utilização do telemóvel, durante a condução, aumenta 4 vezes o risco de ocorrência de acidente de viação;
§  A distração ocorre quando duas tarefas mentais, conduzir e utilizar o telemóvel, são executadas ao mesmo tempo o que provoca lapsos de atenção e erros de avaliação.
§  O uso de aparelhos eletrónicos durante a condução causa dificuldade na interpretação da sinalização e desrespeito das regras de cedência de passagem, designadamente em relação aos peões.
O Plano Nacional de Fiscalização, enquadrado no Plano Estratégico Nacional de Segurança Rodoviária – PENSE 2020, o qual tem como desígnio “Tornar a Segurança Rodoviária uma prioridade para todos os Portugueses”, prevê a realização de campanhas de sensibilização em simultâneo com operações de fiscalização em locais onde ocorrem regularmente infrações que representam um risco acrescido para a ocorrência de acidentes.
A sinistralidade rodoviária não é uma fatalidade e as suas consequências mais graves podem ser evitadas através da adoção de comportamentos seguros na estrada.

OPINIÃO: Não lutamos pela nossa terra

Este ano a popularidade da nossa árvore do Rossio [1] deixou-nos a todos orgulhosos, assim como, muitos feitos notáveis por parte de verdadeiros lutadores desta bonita terra, que, também nos deixam de coração cheio. Não nos faltam motivos para gostar de Portalegre, mas também não nos faltam argumentos para lamentar o estado a que chegámos.
A nossa condição de envelhecimento, desertificação e a pobre realidade económica, não é de agora e os vários apelos para o poder central olhar pelo Alto Alentejo, caíram sempre num poço de promessas. Enquanto por cá assistimos à desunião entre pessoas, autarcas e outras forças, aqueles que tentaram mexer com o poder parlamentar, esbarraram no muro da indiferença.
A avaliar pelo recente anúncio no melhoramento de estradas no interior, 500 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência para novas estradas em Portugal, queremos acreditar e até exigir, que é desta que vai ser concluído o IC13 e feito o melhoramento do IP2; adiamentos, ou “esquecimentos” que muito têm prejudicado esta região ao longo dos tempos. Já agora e porque não uma ligação decente entre Portalegre e Elvas e entre Portalegre e a A23, sem passarmos na ponte da barragem do Fratel?
A barragem do Pisão, continua mais uma vez dependente de novos estudos para se saber se é viável, enquanto baloiça na corda bamba de financiamentos incertos; a ferrovia que vai ser melhorada na ligação de Évora a Caia, mas sem garantias para o abandonado Alto Alentejo.
O Programa Nacional para a Coesão Territorial, não pode ser um documento de 144 páginas; tem de ser um programa efetivo e para levar a sério. Por exemplo, lermos na página 37 que o Centro de Formação de Portalegre/Escola da Guarda Nacional Republicana apresenta um incumprimento na calendarização para 2017/2018. Sabermos que estamos em 2021 e que não se dá o pontapé de partida, dá origem a que se comente que estamos perante tacticismo eleitoral, ou manobras de entretimento…
Um programa a sério e corajoso, começava por deslocalizar serviços públicos como o ensino superior para o interior; apostar na ferrovia, ligando todo o interior, com ligações à vizinha Espanha, incentivar a fixação de empresas e investir no património histórico, cultural e gastronómico do interior, tendo em vista o turismo.
Pensar que a mudança de executivos camarários vai resolver os nossos problemas é não ver um palmo de terra à frente. É verdade que precisamos de bons autarcas, com boas e sustentáveis políticas e essas escolhas têm de ser feitas. Em Portalegre até a requalificação de um tribunal é um exemplo do que aqui temos – lento, muito lento e parado. E aqui as escolhas no plano autárquico nada contam.
Enquanto o centralismo instalado não permitir uma regionalização a sério, as nossas escolhas estão sempre condicionadas. Ou alguém está à espera que um autarca consiga a tão desejada ampliação do Hospital Dr. José Maria Grande em Portalegre e acabar com as macas nos corredores?
Estamos em ano de eleições autárquicas e o mínimo que se pede, são propostas sérias. Apostar nas pessoas, no património, na arte e na cultura não depende do poder central, mas, também é preciso enfrentá-lo sem medo e exigir uma reparação por décadas de abandono. Por vários governos, PS e PSD/CDS fomos ignorados pela simples razão de que só elegemos dois deputados. Da nossa parte, também há culpa, porque já devíamos ter marchado todos juntos, gentes da gente de todos os partidos, sem partidos, rumo a Lisboa e mostrar ao mundo que aqui, também vive gente.
Um pouco por todo o país com câmaras de várias cores políticas e independentes, percebemos duas coisas no poder autárquico: Está dependente da economia local e do poder central. Pelo país fora assistimos a casos que nada dignificam este exercício fundamental do poder local. É preciso escolher, mas é preciso acreditar em projetos.
Nesta nossa tendência para o fatalismo e para realçar os pontos negativos, podemos dizer que Portalegre não é a Palestina, mas não está muito longe disso; desprezados, esquecidos e atacados… somos atacados em tempo de eleições com promessas, somos esquecidos quando os nossos pedidos ficam na gaveta e desprezados quando pedimos ajuda. Mas, também não somos palestinianos, porque ainda não lutamos pela nossa terra.
Paulo Cardoso - Programa "Desabafos" / Rádio Portalegre - 21-05-2021

1] https://www.publico.pt/2020/11/26/ciencia/noticia/arvore-portuguesa-2021-imponente-platano-rossio-portalegre-1940729

Festival do Maio regressa ao Seixal

Sérgio Godinho, Luta Livre e A Garota Não são alguns dos artistas e projectos que vão passar pela segunda edição do Festival do Maio, no Seixal, nos dias 28 e 29 deste mês.  
A Câmara Municipal do Seixal, que organiza o festival, lembra num comunicado que o objectivo deste passa por «promover e fomentar propostas artísticas que tenham como elemento central do seu discurso a intervenção».
Para actuar no primeiro dia do festival, 28 de Maio, foram convocados A Garota Não, Luta Livre (projecto do músico Luís Varatojo), e Ana Tijoux. No segundo dia, 29 de Maio, actuam Bezegol, Sérgio Godinho e Slow J.
Em cada um dos dias, nos intervalos entre as actuações, serão mostrados vídeos «em que actores e cantores interpretam poemas marcantes da poesia de cunho interventivo», que versam sobre temas como a paz, o trabalho, a mulher, o racismo e a liberdade, da autoria de, entre outros, António Gedeão, Sidónio Muralha, Manuel Alegre, Ary dos Santos, Vinicius de Moraes e Luis Silva (Cuti).
Com direcção artística de Luís Varatojo, o Festival do Maio decorre no Parque Urbano do Seixal e os bilhetes para os concertos estarão à venda a partir de quarta-feira.
A 1.ª edição do Festival do Maio aconteceu em 2019 e incluiu, entre outros, o espectáculo Capicua & Mulheres da Lusofonia e actuações de Kusturica and The No Smoking Orchestra e Pedro Jóia e o Quarteto Arabesco.

ATLETISMO: AADP promove curso de formação de juizes gratuito para todos os residentes no distrito de Portalegre

 
A Associação de Atletismo de Portalegre, informa que em conjunto com a Federação Portuguesa de Atletismo está a promover com início no próximo dia 8 de junho e final a 15 do mesmo mês, um curso de formação de juízes de atletismo, totalmente online e gratuito para os residentes no distrito de Portalegre, com o objetivo de reforçar os quadros do conselho de arbitragem da associação.
O curso será em horário pós-laboral e visa suprir a lacuna de meios humanos, identificada na categoria de juiz.
Após aprovação no curso os juízes estagiários, vão poder contar com um apoio financeiro que varia de acordo com a competição que se disputa e com o nível de formação do juiz.
O curso abre também as portas à progressão dos interessados, dentro da carreira de juiz de atletismo, no seio da FPA e IAAF.
O Conselho de Arbitragem da AADP, conta atualmente com um oficial técnico internacional António Costa, que integra o painel da IAAF na categoria máxima da modalidade e estará presente nos próximos jogos olímpicos.
O curso será ministrado pela também ITO Elisabete Simão, ela que se formou como juízes no conselho de arbitragem da AADP e atualmente é presidente desse mesmo órgão na associação de atletismo de Lisboa.
As inscrições podem ser feitas através de formulário disponível na página web da AADP.
Em anexo o link para o formulário de inscrições
 https://forms.gle/xMkUpWhpXBCR3yYC6


24.5.21

TEATRO: Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo distinguidos com doutoramento «honoris causa»


Uma distinção, atribuída pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que ambos reconhecem ser também para quem cria e estuda o teatro em Portugal.
O reconhecimento foi-lhes atribuído esta terça-feira, sob proposta da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo estudaram nos anos 1960 e iniciaram o percurso no teatro.
No final da cerimónia, Jorge Silva Melo afirmou aos jornalistas que a distinção lhes reconhece o percurso no teatro português, mas também os estudos académicos desta arte.
«Claro que é bom ser reconhecido. […] Claro que é bom ser "honoris". Espero que seja um reconhecimento do CET [Centro de Estudos de Teatro da FLUL], que seja reconhecido dentro da universidade como um centro importante de investigação, não só do passado. Não é uma aula de anatomia. Não estamos aqui para dar autópsia e dar o corpo à ciência», afirmou Jorge Silva Melo.
No discurso de agradecimento, Luís Miguel Cintra falou das saudades do que viveu na Universidade de Lisboa, do que aprendeu dentro e fora da sala de aula, citando professores como o padre Manuel Antunes e o pai, o filólogo Lindley Cintra, e das escolhas pela palavra e pela representação. «Troquei a cátedra pelo teatro», disse.
«Não sou doutor, é uma coisa fictícia. Só dou importância ao que me liga afectivamente à universidade e que é significativo de quanto a universidade era diferente. Para mim tudo começou na faculdade, as pessoas que conheci. E isso criava uma espécie de vida cultural», afirmou depois aos jornalistas.
Luís Miguel Cintra, que co-fundou o Teatro da Cornucópia com Jorge Silva Melo, estende este reconhecimento a quem faz teatro em Portugal e a quem se dedica à Cultura: «A Cultura é a maneira de as pessoas viverem, é aquilo que pensam. É de todos os cidadãos, não só dos que têm dinheiro para comprar cultura. A Cultura não é uma coisa que se compre, é uma coisa que se vive».
O encenador sublinhou que «as pessoas pensam que quando são atribuídos subsídios ao teatro, são para os artistas terem que comer e porque merecem um prémio pelo seu mérito. São subsídios à população, permitem que certos espectáculos existam e que sejam possíveis de ser vistos por pessoas a quem eles são úteis».
Na cerimónia de atribuição do grau de doutor «honoris causa», que teve lugar na Reitoria da Universidade de Lisboa, o elogio a Luís Miguel Cintra foi feito pela professora Maria João Brilhante, sublinhando um percurso que «inovou e marcou o seu tempo».
O «gesto» de atribuir esta distinção a duas figuras centrais do teatro em Portugal reconhece «o contributo do teatro e dos seus artistas para a realização de um objectivo partilhado, de despertar pela sensibilidade, pela imaginação, pela ousadia da criatividade e pelo conhecimento, gerações futuras de quem esperamos a construção de sociedades justas e solidárias», referiu.
O elogio a Jorge Silva Melo foi feito pelo professor José Pedro Serra, considerando que o encenador, fundador dos Artistas Unidos, «integra o grande caudal da tradição das Humanidades».

HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

Pomba da paz | Cartoon editorial da revista Sábado - Vasco Gargalo 


TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (VII)

- Em Maio, as cerejas, come-as a velha ao borralho.
- Em Maio, até a unha do gado faz estrume.
- Em Maio, bebe o boi no rego.
- Em Maio, canta o gaio.
- Em Maio, cerejas ao borralho.
- Em Maio, chocai-o.
- Em Maio, com sono caio.
- Em Maio, come a velha a cereja ao borralho.
- Em Maio, deixa a mosca o boi e toma o asno.
- Em Maio, espetam-se as rocas e sacham-se as portas.
- Em Maio, gradai-o.
- Em Maio, há muito ceifão, mas em Junho é que se vê quem eles são.
- Em Maio, iguala o pão com o mato, a noite com o dia, o Sol com a Lua e o Manei com a Maria.
- Em Maio, já a velha aquece o palácio.
- Em Maio, lava-se com água pelo rego.
- Em Maio, nem à porta de casa saio.
- Em Maio, o calor, a todo o ano dá valor.
- Em Maio, o rafeiro é galgo.
- Em Maio, onde quer eu caio.
- Em Maio, passarinho em raio. 

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

23.5.21

OPINIÃO: A Palestina não tem nada a provar

Depois de tantos anos a assistir à luta desigual do povo palestiniano pela sobrevivência, foi a comunidade internacional que transformou esta história – a verdadeira, sem pretextos – numa história sem moral. A Palestina não tem nada a provar, a não ser que é vítima de uma ocupação ilegal.
O Bloco de Esquerda apresentou um projeto para proibir a importação e venda de bens, a contratação de serviços e a extração de recursos de territórios ilegalmente ocupados por outro país ou das suas águas territoriais associadas. Se for aprovada, a lei aplicar-se-á a cidadãos portugueses ou residentes em Portugal, a empresas e ao Estado português, e o seu incumprimento poderá ser punido com pena de prisão até cinco anos.
A ideia, que não é inédita e já inspirou iniciativas semelhantes na Irlanda e em cidades europeias como Oslo, não se resume a uma questão moral nem procura expressar simpatia simbólica pela causa palestiniana. Trata-se de saber se as relações económicas devem validar o que o direito internacional condenou como colonialismo e de tentar impedir que a ocupação ilegal de territórios seja rentável para o estado ocupante.
É importante clarificar este aspeto porque se há coisa que os últimos dias provaram é que as abordagens morais ao chamado ‘conflito’ israelo-palestiniano não passam de um embuste. Declarações como a do Governo português, que condenou “o lançamento indiscriminado de mísseis a partir da Faixa de Gaza contra civis israelitas” mantendo absoluto silêncio sobre a violência da potência ocupante; reações que tratam crimes de guerra como uma briga de crianças, à procura de saber “quem bateu primeiro”; argumentos tão inexplicáveis como a justificação da colonização porque o estado colonizador é “uma democracia” no meio de sociedades “autoritárias”, “machistas” ou “homofóbicas”; e até a já cansada desculpa “mas apoiamos a solução de dois Estados” –, todos estes pretextos fazem parte de uma moral sem história.
Por ela exige-se a um povo colonizado por um dos estados mais militarizados e agressivos do mundo que, como prova de boa vontade, assista pacificamente à sua própria destruição. Que resista pacificamente à expulsão de famílias das suas casas, à destruição dos seus olivais, à expropriação do acesso a terrenos férteis ou fontes de rega, à explosão de escolas, reservatórios de água, à humilhação diária e à prisão indiscriminada, sem rockets, nem confusão nem nada que chame a atenção.
Enquanto isso, o “democrático” Governo de Israel cumpre o seu objetivo de um Estado étnico, declara que o povo judaico tem direito exclusivo à autodeterminação nacional, que o Estado dá “valor nacional” ao “estabelecimento de comunidades judaicas” e que irá “encorajar e promover o seu estabelecimento e consolidação”, consagra Jerusalém “unida” como capital – violando todas as convenções e acordos internacionais – e define que o hebraico é a única língua oficial, diminuindo o estatuto do árabe.
Enquanto isso, o “democrático” governo de Israel bombardeia e destrói vinte e dois meios de comunicação, entre eles o edifício sede da Al Jazeera e da Associated Press, tenta “silenciar a confundir a imprensa estrangeira sobre o conflito de Gaza”; bombardeia Gaza, mata 58 crianças, e avisa que não vai parar.
Depois de tantos anos a assistir à luta desigual do povo palestiniano pela sobrevivência, foi a comunidade internacional que transformou esta história – a verdadeira, sem pretextos – numa história sem moral. A Palestina não tem nada a provar, a não ser que é vítima de uma ocupação ilegal. Como essa parte está feita, o resto do mundo não tem outro caminho para a paz a não ser o reconhecimento do Estado palestiniano.

Joana Mortágua - in Jornal “I” - 20/5/2021

Évora apresenta o IMATERIAL - O novo festival dedicado ao património imaterial

 
O IMATERIAL é um novo festival em que a música assume um papel central, catalisador, mas cuja estrutura, dinâmica e linguagem coloca sob os holofotes o património imaterial nas suas diferentes manifestações. Um festival que celebra e pensa a música como expressão popular identitária de povos de todo o mundo e a coloca em diálogo com o património edificado do Alentejo Central.
A estreia – em pleno - está prevista para 2022, com palcos nos vários municípios envolvidos, mas já este ano haverá uma edição especial, a acontecer em Évora de 18 a 26 de junho, e há alguns aspetos sobre os quais se pode levantar o véu.
Ao longo de 10 dias, na presença de músicos, especialistas, estudiosos, entusiastas, jornalistas e programadores, o IMATERIAL é o lugar privilegiado para as trocas entre diferentes culturas, entre passado e presente, entre património edificado e património que só existe nos saberes acumulados dos seus intérpretes, num apelo a que nos pensemos como povos irmãos, como coabitantes de um mesmo mundo vivo e em transformação. Em que as tradições nos ajudam a perceber quem somos, mas também quem poderíamos ter sido se tivéssemos nascido numa outra condição.
A edição especial de estreia do IMATERIAL acontece já este ano, de 18 a 27 de Junho, com centro nevrálgico em Évora (cujo centro histórico integra a lista de Património da Humanidade desde 1986). Mas nas futuras edições estende-se por uma série de outros concelhos do coração alentejano, com os quais as negociações já estão em curso. A par do envolvimento destes municípios alentejanos, o IMATERIAL conta ainda com a parceria da Fundação INATEL e, no seu horizonte a longo prazo, integra-se no desenho da candidatura de Évora 2027 – Capital Europeia da Cultura.
Como se lê num dos textos de apresentação, “o IMATERIAL parte da união entre o património tangível e o intangível para povoar a paisagem com encontros culturais que nos reconduzirão ao desígnio fundamental de escutarmos o outro e valorizarmos as diferenças enquanto motivo de fascínio e aproximação – nunca de afastamento. Na terra de uma expressão musical e social tão enraizada quanto o cante alentejano, o encontro com o fado e com outros géneros musicais de outras partes do mundo que sejam objecto de preservação e de valorização pela sua História, ocupará os diferentes palcos do Imaterial. Um pouco por toda a programação, dos concertos e da realização de uma conferência internacional às residências artísticas e ao estabelecimento de uma plataforma ibérica para contactos profissionais, a celebração dos costumes locais far-se-á sempre com esta convicção de que a música faz parte da paisagem, alimenta-se dela e devolve-lhe uma beleza inigualável.”
Os grandes impulsionadores do IMATERIAL - que assumem também a sua direção e a curadoria de algumas das iniciativas – são dois dos principais rostos da dinâmica cultural do país: Carlos Seixas (diretor artístico do Festival Músicas do Mundo, de Sines) e Luís Garcia (programador do Município de Évora, ligado a festivais como o ViváRua e o Artes à Rua).
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Atletas de Ródão estrearam-se nas competições regionais de canoagem

 
Em maio, os atletas do Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento (CMCD) de Vila Velha de Ródão participaram em duas provas de canoagem de âmbito regional, o Campeonato Regional de Fundo Bacia do Tejo e o Campeonato Regional de Esperanças Bacia do Tejo, estreando-se em competição numa altura em se completa quase um ano desde a abertura da Escola de Canoagem.
Naquela que foi a primeira participação do CMCD em competições, no dia 8 de maio, os atletas deslocaram-se até à baia da Amora, no Seixal, onde disputaram a Prova Regional de Fundo Bacia do Tejo. A iniciativa contou com a participação de cerca de 330 atletas masculinos e femininos nos diversos escalões – Iniciado, Infantil, Júnior, Cadete, Veterano, Sénior e Paracanoagem –, tendo o CMCD ficado classificado em 10.º lugar na Geral de Clubes e em 3.º lugar em Veteranos B Feminino.
Ainda em maio, no dia 15, o CMCD marcou presença com dez atletas no Campeonato Regional de Esperanças Bacia do Tejo, que se realizou em Salvaterra de Magos. Distribuídos pelas categorias K1 masculino, K1 Iniciado masculino e feminino, K1 Infantil e K1 Cadetes masculino, os atletas do clube de Vila Velha de Ródão obtiveram o 11.º lugar da Geral de Clubes.
Passado quase um ano após a abertura ao público, em julho de 2020, a Escola de Canoagem de Vila Velha de Ródão dá assim mostras da sua vitalidade. A prática de canoagem tem vindo a ser dinamizada no concelho e é uma aposta clara do Município de Vila Velha de Ródão, que vê nesta atividade desportiva uma excelente ligação ao rio Tejo e ao turismo de natureza. A dinâmica do Centro Municipal de Cultura acontece após um investimento do município no Centro Náutico de Vila Velha de Ródão, que permite a prática da modalidade em segurança, para adultos e crianças. 

21.5.21

MENSAGEM DO CORAÇÃO: O Dia que não terminou…

 
Hoje é um dia triste! É um dia que não terminou…
E os outros também o são, tristes e vazios de ausência física de uma pessoa que se ama, a do nosso Pai. Este dia é especialmente triste porque é um dia simbólico e estes dias são sempre marcantes tanto para o bem como para o mal… e este, este dia veio marcar-nos de uma grande dor que veio e que não desaparece que, veio para ficar!
21 de Maio de 2020, “O Dia que não terminou”, faz hoje 1 ano… como o tempo passa e a dor não cicatriza!
Faz 1 ano em que este dia viria a marcar a vida do Pai, da Mãe e as nossas vidas… instalou-se em nós, veio para ficar como um dos dias mais negros e dolorosos da nossa vida, “O Dia que não terminou…”. 
Faz 1 ano que os nossos pais tiveram o acidente de carro e que se tornou o dia mais negro… porquê?
Os dias, as horas, os minutos e segundos que se seguiriam foram de dor, muita tristeza e impotência. 
“O Dia que não terminou”, viria a ficar para sempre um dia em que nunca iriamos pensar que um triste fim estava para chegar. 
Assim é a vida, ao sairmos de nossa casa sabemos que estamos a sair, sem saber se iremos voltar… e assim aconteceu com o nosso Pai, saiu para não mais voltar!
Pensem nisso, não deixem nada para trás, nada por fazer, nada por dizer…
Digam “Gosto de ti”!
Digam “Amo-te”!
Pois a vida passa rápido, é um sopro de vento que passa e não volta atrás…
Por isso, Pai, Mãe e Manos… amo-vos muito e numa corrente de amor, manteremos para sempre vivas as memórias do nosso querido Pai que faz parte da nossa vida todos os dias, pois ele vive dentro do nosso coração Hoje e Sempre!
Com Amor Pai,
A sua Ana.
21 de Maio de 2021


Ródão recebe Campeonato Regional de Maratona da Bacia do Tejo e Troféu Terras de Oiro

 
No domingo, 30 de maio, Vila Velha de Ródão recebe o Campeonato Regional de Maratona da Bacia do Tejo, uma competição que integra o I Troféu Terras de Ouro e é organizada pela Federação Portuguesa de Canoagem, em parceria com o Município de Vila Velha de Ródão e o Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento.
Com a abertura do secretariado da prova agendada para as 10h30, o Campeonato Regional de Maratona da Bacia do Tejo tem início às 12h00 e conta com cerca de duas dezenas de atletas inscritos. Com distâncias que variam entre os 21 e os 12,6 quilómetros, distribuídos de acordo com os escalões (Seniores, Juniores e Veteranos) e as categorias (K1 e K2 ou C1 e C2) em competição, a prova contempla um circuito de 4000 metros entre o cais e as Portas de Ródão.  
De tarde, às 15h00, decorre o I Troféu Terras de Ouro, uma prova com um circuito mais pequeno, com distâncias que vão dos 500 aos 4000 metros, e que se destina aos escalões Mínimo, Menor, Iniciados, Infantil e Cadete.
A presente prova desportiva vai de encontro à dinâmica impelida pelo Município de Vila Velha de Ródão no apoio ao desporto, à ligação ao Tejo e ao turismo de natureza que são apostas claras de autarquia. 

20.5.21

TRABALHO: Trabalhadores da Função Pública respondem com greve à insensibilidade do Governo/Patrão

Escolas totalmente encerradas ou a “meio-gás”, Recolha de lixo por fazer, sapadores  florestais paralisados, segurança social parcialmente parada e o descontentamento geral a  fazer-se ouvir é a resposta dos trabalhadores do distrito a um governo que persiste em não  atender as legitimas reivindicações dos trabalhadores da Função Pública e em particular da  necessidade de retomar a negociação coletiva de salários e de condições de trabalho. Muitos  mais trabalhadores teriam aderido à greve não fosse o facto de terem, neste dia, de  assegurarem o funcionamento dos centros de vacinação e testagem. De notar que, em relação  aos que se encontram em teletrabalho, não é possível a esta altura aferir a percentagem de  adesão. 
Não é mais possível, governo central e autarquias locais, fingirem que não sabem da  degradação de salários e de condições de trabalho.  
Fingirem que não veem que a Tabela remuneratória cujos três primeiros níveis já foram  “engolidos” pelo Salário Mínimo Nacional; 
Ignorar as 15 mil assinaturas que lhes foram entregues ao governo exigindo a Revisão  do SIADAP e continuar “preso” ao mesmo (mau) sistema de avaliação; 
Fingirem que não sabem que o suplemento de penosidade e insalubridade (congelado  durante 13 anos) e agora consagrado na LOE2021 está longe de ser corretamente aplicado, ou  seja, com retroativos a janeiro e no seu nível máximo ao maior número de trabalhadores.  
Autarquias como Crato, Sousel, Alter, Elvas, Campo Maior, Nisa e outras, além de terem  excluído os representantes dos trabalhadores da negociação desta matéria não irão aplicar o SPI  com retroativos a janeiro como a LOE permite e a mais elementar justiça recomenda. 
Os trabalhadores do nosso distrito estão a dar a resposta necessária. Neste momento  os números já disponíveis mostram uma enorme adesão a greve. 
Escolas encerradas: 
AE de Arronches; ES Campo Maior; AE Crato, AE Castelo de Vide; JI Fronteira; AE Gavião; 1º Ciclo dos Assentos; 1º Ciclo da Corredoura. 
ES S. Lourenço fechada a partir do meio-dia por não ter refeitório devido à greve. AE  Nisa está a enviar os alunos mais novos para casa porque não tem refeitório. Administração Local 
Crato – Oficinas 80% de adesão 
Avis – Recolha de lixo e equipa de sapadores florestais 100% 
 Dezenas de serviços autárquicos de atendimento ao público paralisados. Administração Central 
Crato – Serviços de Segurança Social – 50% 
A Luta por mais e melhores servições públicos e o direito à negociação coletiva que hoje  se desenvolve é uma luta de todos. 
Também no sector privado é o incumprimento do direito à negociação coletiva que faz com que  não haja valorização salarial digna há vários anos.  
É pensando em todos, que neste momento, trabalhadores em greve do STAL e do SPZS  estão a caminho de Lisboa para protestarem frente ao Conselho de Ministros que reúne no  Palácio da Ajuda. 
Porque é com a luta que lá vamos! 

A Direção da USNA/CGTP-IN

 

PORTALEGRE: Apresentação do Roteiro Literário da Raia

Sessão terá lugar na Biblioteca Municipal de Portalegre
Integrada no programa das Festas 2021, está marcada para dia 21 de maio, pelas 19h00, na Biblioteca Municipal de Portalegre, a apresentação de mais um Tour disponível na aplicação Izi Travel, em https://izi.travel/pt/search/portalegre. Trata-se do Roteiro Literário da Raia, que à semelhança do Tour Urbano, já anteriormente apresentado, é de autoria de Sérgio Sampaio Carvalho.
Em Portalegre, este roteiro assenta na vida e obra de José Régio e inclui a visita à Casa Museu onde o poeta viveu por mais de 30 anos, com destaque para o acervo literário e coleções de arte sacra e arte popular que tanto estimava.
Uma outra proposta é percorrer os lugares mais frequentados por Régio na cidade, seguindo os seus passos e conhecendo as rotinas de uma das personalidades maiores da literatura portuguesa do século passado.
Também a Serra de São Mamede era local de predileção do autor, destino preferencial dos Grandes Passeios que dava aos Domingos.
O roteiro destaca também o tour rural de Régio que percorre as freguesias do concelho, num território marcado pela transição entre as planícies do sul com horizontes infinitos e a paisagem verdejante da serra, com todo o património natural histórico que este território ainda guarda.
Para além de Portalegre, o Roteiro Literário da Raia apresenta ainda propostas para percorrer Salamanca e Béjar, tendo como referência Miguel Unamuno e ainda Os Pedroches, Córdoba pela mão de Juana de Castro.
Todo o roteiro de Portalegre está disponível na aplicação Izi Travel do seu telemóvel, tendo associado um QR code para cada proposta, o que permite que cada pessoa possa calcorrear cada um dos tours no momento que mais lhe convier.
Trata-se de um Projeto da Câmara Municipal de Portalegre que tem por objetivo fornecer aos turistas que nos visitam ferramentas que facilitem o acesso a vários roteiros temáticos interativos disponibilizados em português, espanhol, francês e inglês e que podem ser efetuados de forma autónoma. É financiado no âmbito da Candidatura ao Programa INTERREG VA Espanha-Portugal (POCTEP) 2014-2020, designada por 0363 _1234REDES_CON_6_E, enquadrada no Eixo 3 - Crescimento sustentável através da cooperação transfronteiriça para a prevenção de riscos e melhor gestão dos recursos naturais.


SARDOAL: Município apoia projetos de OTL

 
O Município, no âmbito do Programa de Ocupação de Tempos Livres (OTL), promovido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), volta a estar disponível para participar como entidade parceira para projetos apresentados na modalidade de Longa Duração.
Através deste programa, a Autarquia poderá ser parceira de projetos que possam vir a ser apresentados por jovens em áreas como Cultura, Desporto, Direito dos Animais, Apoio a Idosos, Combate à Exclusão Social, Saúde, Ambiente/Proteção Civil, ou outra de reconhecido interesse.
A realização dos projetos na modalidade das candidaturas de Longa Duração decorre até 30 de novembro, devendo os projetos ser apresentados até 30 dias antes do seu início, por jovens dinamizadores, com idades compreendidas entre os 18 e 30 anos. Esta modalidade tem uma duração mínima de 264 horas e máxima de 396.
Através deste apoio, o Município visa promover o empreendedorismo, incentivando os jovens a desenvolver e a executar o seu próprio projeto, ganhando experiência em contexto de trabalho, melhorando a sua capacidade de inserção profissional, as suas competências profissionais, pessoais e relacionais
Os jovens interessados poderão obter mais informações referentes ao programa no Ponto JA, através dos contactos de e-mail desporto@cm-sardoal.pt e telef. 925 993 412 ou junto dos Serviços de Ação Social do Município.
  

19.5.21

PORTALEGRE: Teatro: Praça dos Heróis" no CAEP

 
29 MAI. SÁB. 17.00H
Praça dos Heróis
Rede Eunice Ageas
Teatro Nacional D. Maria II
Teatro | GA | 10€ | M/14 anos
A 15 de março de 1938, milhares de austríacos aclamavam Adolf Hitler na Heldenplatz, em Viena, celebrando a anexação da Áustria pela Alemanha nazi.
Cinquenta anos depois, estreava no Burgtheater a peça de Thomas Bernhard com o mesmo nome, Heldenplatz (Praça dos Heróis), para assinalar o centenário do histórico teatro vienense, bem como os cinquenta anos da anexação. Praça dos Heróis vem assim trazer a descoberto o branqueamento histórico que permitiu que a Áustria se assumisse como a primeira vítima do III Reich, ao invés de um primeiro aliado.
Hoje, numa altura em que o conservadorismo retrógrado parece confirmar um retrocesso civilizacional, político e social, David Pereira Bastos regressa com um redobrado sentido de urgência a esta Praça dos Heróis.
Texto: Thomas Bernhard
direção artística: David Pereira Bastos
com: Ana Sampaio e Maia, Bruno Simão, Flávia Gusmão, Manuel Coelho, Miguel Sopas, Paulo Pinto, Rita Loureiro, Sílvia Figueiredo
tradução: Francisco Luís Parreira
fotografia, cenografia e figurinos: Bruno Simão
desenho de luz: José Álvaro Correia
sonoplastia: Ricardo Martins
coordenação de produção: Manuel Poças
produção: Estado Zero
co-produção: Teatro Nacional D. Maria II
Projeto financiado pela República Portuguesa - Cultura / DGArtes


HUMOR EM TEMPO DE CÓLERA

 

A metralhadora - Cartoon de Henrique Monteiro in http://henricartoon.blogs.sapo.pt

Vila Velha de Ródão realiza encontro para assinalar os 50 anos dos trabalhos sobre o Paleolítico

No dia 30 de maio, Vila Velha de Ródão assinala os 50 anos desde o início dos trabalhos sobre o Paleolítico na região com um encontro que reúne alguns dos principais protagonistas da chamada “Geração do Tejo”, nome atribuído aos arqueólogos e estudantes que, a partir de finais de 1971, graças às campanhas de salvamento arqueológico, garantiram a catalogação e preservação da arte rupestre do vale do Tejo, antes da sua submersão devido à construção da barragem do Fratel.
A iniciativa é organizada pela Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, em parceria com a Sociedade dos Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, e tem início às 9h00, com um passeio pedestre e visita guiada até ao Castelo do Rei Wamba, à Estação arqueológica Vilas Ruivas e à Fonte das Virtudes, que será conduzida por Luís Raposo, membro da “Geração do Tejo”, antigo diretor do Museu Nacional de Arqueologia e presidente Associação Profissional de Arqueólogos, e atual  vice-presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses e presidente da Aliança Regional Europeia do Conselho Internacional dos Museus (ICOM).
Depois de um almoço no barco Vila Portuguesa e de uma visita à exposição de aguarelas “Pelos Traços do Tempo”, de Maria do Rosário Maia, patente na Biblioteca Municipal José Baptista Martins, o início dos trabalhos está marcado para as 16h30, na Casa de Artes e Cultura do Tejo, onde terá lugar a inauguração da exposição fotográfica “50 Anos, 50 Fotografias”, sobre os trabalhos arqueológicos do Paleolítico na região. 
Segue-se a apresentação de dispositivos e a conferência “O Presente e Futuro das Investigações sobre o Paleolítico Rodanense”, conduzida por Telmo Pereira, professor do Departamento de História, Artes e Humanidades da Universidade Autónoma de Lisboa e investigador e colaborador em vários projetos na área da pré-história.
Tendo em conta as normas de segurança impostas pela DGS, as inscrições neste encontro são limitadas a 40 pessoas a bordo do barco, momento que já se encontra esgotado, e a 100 pessoas no auditório da Casa de Artes e Cultura, sendo necessária a confirmação através do e-mail turismo@cm-vvrodao.pt, com indicação do momento em que se inscreve (período da tarde). 


GEOPARK NATURTEJO: Está aí o Festival da Paisagem

 
Data: 22 de Maio a 6 de Junho
Local: Geopark Naturtejo
O Festival da Paisagem está de regresso ao Geopark Naturtejo Mundial da UNESCO. São diversas as actividades de Ciência e Arte oferecidas nas imensas paisagens deslumbrantes entre os rios Zêzere e Tejo, até à fronteira. Desporto de aventura e muito conhecimento em liberdade pela natureza são as propostas oferecidas em Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Penamacor, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão, assim como por diversos canais da internet, ao mundo. A decorrer entre os dias 22 de Maio e 6 de Junho, o Geopark Naturtejo convida ao sublime retorno à Natureza. As inscrições são obrigatórias.
O programa do Festival da Paisagem tem início no Dia Internacional da Biodiversidade, com o III BioDivSummit em Proença-a-Nova, este ano dedicado à Economia Viva, potenciando uma reflexão em torno da proteção e valorização do território, da produção biológica e da reengenharia de processos. Nesse fim-de-semana decorre ainda uma acção de formação acreditada para professores organizada pelo Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra e pelo Geopark Naturtejo. “À Descoberta da Geo-história dos últimos 600 Milhões de anos na Beira Baixa” é o tema desta formação que irá percorrer alguns dos mais importantes geomonumentos deste território reconhecido pela UNESCO pelo seu património geológico, casos do Monumento Natural das Portas de Ródão, do Parque do Barrocal de Castelo Branco, das Termas de Monfortinho, do Parque Icnológico de Penha Garcia e do Monte-Ilha de Monsanto. No domingo a adrenalina sobe na Escola de Escalada da Crista do Zebro, em plena Serra do Muradal, numa organização da Câmara Municipal de Oleiros.
Durante a semana intensifica-se a oferta de conhecimento ao alcance de todos. No dia 25 de Maio tem início a Formação Executiva em Geoturismo nos Geoparques UNESCO em Portugal, uma iniciativa do Turismo de Portugal e dos Geoparques portugueses. Ainda nesse dia tem início o grande Congresso Internacional dedicado ao Megalitismo. Partindo do trabalho que tem sido realizado em Proença-a-Nova para a valorização do seu património arqueológico, este congresso conta com a presença de investigadores de todo o mundo especialistas neste tipo de construções com mais de 5000 anos que se distribuem da Europa mediterrânica e central, aos confins da Ásia. Já no dia 27, os parceiros do projecto UNESCO GEOfood, entre os quais se inclui o Geopark Naturtejo, têm o seu Seminário de apresentação ‘GEOfood para o Desenvolvimento Sustentável nos Geoparques Mundiais da UNESCO’. Já perto do fim do dia, a Hora do Conto é dedicada à paisagem geológica de Oleiros, levando os mais jovens a descobrir esta região de montanhas encantadas.
No fim-de-semana de 29 de Maio decorre mais uma Acção de Formação para Professores "Nas Terras do Lince - Geodiversidade de Penamacor", numa organização conjunta da Câmara Municipal de Penamacor, Geopark Naturtejo e os “Geoapanhados”, um grupo ávido de descobertas geológicas.
Na celebração do Dia Internacional da Criança, o Município de Oleiros convida os mais jovens para  o “Eu vivo num Geopark”, numa edição cheia de surpresas. Já no dia  4 tem início a primeira etapa da “Aldeia do Xisto MTB Trophy 2021”, num percurso circular de BTT pelas mais belas paisagens do concelho de Oleiros.
A fechar a edição deste ano do Festival da Paisagem Geopark Naturtejo, no Dia Internacional do Meio Ambiente, será inaugurada a obra “A Menina dos Medos” no meio do rio Ocreza, em pleno geomonumento das Portas de Almourão. Esta é uma iniciativa do Município de Proença-a-Nova com a Experimenta Paisagem, estando a ser organizada pela Associação para o Desenvolvimento de Sobral Fernando, que inclui ainda uma visita ao Geomonumento, mostra de artesanato local na mais sublime das montras naturais e os sabores da inovação à boca do forno comunitário.
Durante o Festival da Paisagem, os visitantes são convidados a visitar duas exposições em Proença-a-Nova, uma de Rochas e Minerais no Centro Ciência Viva da Floresta e “Presença e Ficção”, uma mostra de escultura pública e intervenções efémeras na paisagem realizadas pela Faculdade de Belas-Artes no concelho de Proença-a-Nova, patente na Galeria Municipal.
O Festival da Paisagem integra a Semana Europeia de Geoparques que decorre em 81 geoparques UNESCO espalhados por 26 países. Toda a informação relativa à programação do Festival da Paisagem Geopark Naturtejo poderá ser encontrada em www.naturtejo.com.


18.5.21

TRADIÇÃO ORAL: PROVÉRBIOS DE MAIO (VI)

- Março amoroso, Abril ventoso e Maio remeloso, fazem o ano formoso.
- Mês de Maio, mês de má aventura, apenas anoitece é logo noite escura.
- Mês de Maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores.
- Não há luar como o de Maio, mas lá virá o de Agosto que lhe dará no rosto.
- Não há Maio sem trovões, nem homem sem calções.
- O Maio me molha, o Maio me enxuga.
- Peixe de Maio, a quem vo-lo pedir dai-o.
- Pela Ascensão coalha a amêndoa e nasce o pinhão.
- Pela Ascensão nasce o pinhão.
- Por Abril dorme o moço madraceirão e por Maio, dorme o moço e o patrão.
- Por Abril, dorme o moço ruim e por Maio, dorme o moço e o amo.
- Por onde Abril e Maio passou, tudo espigou.
- Por onde Maio passou nado, tudo deixou espigado.
- Por Santo Urbão (25 de Maio), gavião na mão.
- Primeiro de Maio molhado, fruta bichada.
- Primeiro de Maio, corre o lobo e o veado.
- Quando chove na Ascensão, até as palhinhas dão pão.
- Quando em Maio arrulha a perdiz, ano feliz.
- Quando em Maio não troa, não é ano de broa.
- Quando em Maio relva, nem pão, nem erva.

* Recolha de Hernâni Matos in http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com

VILA VELHA DE RÓDÃO: Residência artística sensibilizou crianças para a arte e natureza

 
Entre 26 e 30 de abril, a artista e educadora Marina Palácio regressou a Vila Velha de Ródão para a realização de uma residência artística no Jardim de Infância do Porto (JI) do Tejo, intitulada “Diálogos para amar livros, lobos, pássaros, árvores e silêncio – Livro Solar”, uma iniciativa que integra o projeto Dias de Saber, promovido pela Biblioteca Municipal José Baptista Martins.
Marcada pela dimensão imaginativa e ética, a residência artística no JI do Porto do Tejo dividiu-se em três oficinas, que procuraram educar para a arte e a natureza, com os livros a ocuparem um lugar central. 
Assim, a primeira oficina começou por oferecer às crianças a possibilidade de se tornarem “Pequenos Jardineiros da Madrugada”, desafio que as levou a andarem pelo deserto na companhia de uma ovelha, a imaginarem-se abelhas a polinizar e a desenharem as árvores da sua imaginação.
Na segunda oficina, “através da observação e escuta numa paisagem, que também se quer rica na prática do silêncio (e dos micro-silêncios), como é em movimento e biodiversidade, os pequenos jardineiros estiveram em constante diálogo com as diferentes formas de vida, florescendo para uma melhor sintonia com o meio ambiente natural e humano”, como explicou Marina Palácio. 
Esta oficina promoveu a literacia natural, “tão importante no equilíbrio da estruturação emocional/corporal e para um melhor entendimento futuro das aprendizagens formais”, e criou possibilidades de vivências ao ar livre, promotoras de diálogos de dentro para fora, procurando desenvolver o gosto pelo registo em cadernos de campo, em tom poético e imagético, como o da poeta e diarista Maria Gabriela Llansol, cuja frase “sempre que sei, não escondo” inspira esta 2.ª edição dos Dias de Saber.
Por fim, a terceira oficina inspirou-se na missão assumida por Marina Palácio de “aprender com a natureza” e visou envolver as crianças num registo de cocriação, que elas sentissem como estruturante, alegre, e com sentido para toda a sua vida. A atividade resultou num momento de convívio e alegria, que incluiu a plantação de violetas em vasos para as crianças oferecerem às suas mães no Dia da Mãe. 
Tal como preconiza esta segunda edição dos Dias de Saber, que se assume como um projeto colaborativo, esta residência artística contou com o apoio de diversos serviços do Município e da comunidade educativa do JI do Porto do Tejo.

Greve Nacional da Administração Pública, 20 de Maio de 2021

Após várias tentativas falhadas de negociação com o Governo, no âmbito da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, o STAL, juntamente com a Federação Nacional de Sindicatos da Função Pública, convocou para esta quinta-feira, dia 20, uma greve nacional.
Neste dia, no distrito de Portalegre, um conjunto de activistas sindicais e trabalhadores das autarquias, em greve, irão concentrar-se, pelas 9h, na Praça da República em Elvas, a fim de divulgar os dados a essa altura conhecidos de adesão à greve e de dar visibilidade às razões que os levaram a recorrer a esta forma de luta.

CAMPO MAIOR: Prisão preventiva por violência doméstica

 
O Comando Territorial de Portalegre, através do Posto Territorial de Campo Maior, no dia 16 de maio, deteve um homem de 39 anos por violência doméstica, no concelho de Campo Maior.
No seguimento de uma denúncia de violência doméstica, os militares da Guarda deslocaram-se ao local onde, no exterior da habitação, era possível ouvir os gritos da vítima, de 38 anos. No decorrer das diligências policiais, os militares da Guarda depararam-se com sinais evidentes de agressões perpetrados pelo companheiro da vítima, nomeadamente ferimentos na nuca desta.
O agressor foi detido e presente ao Tribunal Judicial de Elvas, tendo ficado sujeito à medida de coação de prisão preventiva, sendo conduzido ao Estabelecimento Prisional de Castelo Branco.


Candidatura “Encosta Viva” apresentada pela TAGUS ao Programa Bairros Saudáveis recebe parecer favorável

A TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior recebeu parecer favorável à candidatura “Encosta Viva” que apresentou em parceria ao Programa Bairros Saudáveis, em dezembro de 2020. Este projeto obteve uma pontuação de 92 pontos, classificando-se em 11º lugar, num total de 752 candidaturas admitidas a concurso e das quais apenas 246 obtiveram aprovação, de acordo com o anúncio público dos resultados feito no passado dia 14 de maio de 2021.
Trata-se de uma iniciativa, no valor global de 50.000€, que será dinamizada pela TAGUS juntamente com a Escola Básica António Torrado, do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes, a sua Associação de Pais e Encarregados de Educação, o Grupo em Formação de Abrantes – AEP Escoteiros de Portugal, a Cres.Ser – Associação de Desenvolvimento Pessoal e Comunitário, a União de Freguesias de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede e o município de Abrantes. 
“Encosta Viva” tem como principal objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade residente no bairro da Encosta da Barata, em Abrantes, despoletando mecanismos de auto-organização para fomentar o aparecimento de uma Associação de Moradores, procurando melhorar a visibilidade deste local, criar sentimentos de pertença, orgulho e interajuda por parte dos moradores, através da dinamização de atividades culturais, económicas, desportivas, recreativas e de saúde. 
Promover a coesão social, o aumento de competências e da empregabilidade e o livre acesso à cultura, sensibilizar a comunidade para hábitos de vida saudáveis e combater o isolamento são os objetivos específicos que foram delineados pelos parceiros, tendo sido definidas quatro tipologias de atividades para ir ao seu encontro, designadamente: “Pensar a Encosta” – diagnóstico participado de reflexão e auscultação daqueles que residem e intervêm no bairro; “Encosta Empreendedora” – procurando auxiliar pessoas em situações de vulnerabilidade económica a (re)definirem o seu percurso profissional; ações de animação cultural, desportiva e recreativa de promoção de hábitos de vida saudáveis e combate ao isolamento que irão integrar a “Encosta Saudável” e, por último, iniciativas de animação que visam proporcionar o acesso livre e gratuito à cultura englobadas no “Encosta com Arte”.
O Programa Bairros Saudáveis foi criado pela Resolução de Conselho de Ministros 52-A/2020, de 1 de julho, retificada pela Declaração de Retificação 25-B/2020, de 23 de julho, como um “instrumento participativo que promove iniciativas de saúde, sociais, económicas, ambientais e urbanísticas junto das comunidades locais mais atingidas pela pandemia, ou por outros fatores que afetam as suas condições de saúde e bem-estar.”

Morreu Dinis de Almeida, capitão de Abril e defensor da revolução

 
Foi um dos militares do 25 de Abril e teve um papel destacado na resistência ao golpe spinolista do 11 de Março. Morreu este domingo, aos 76 anos, vítima da Covid-19.
A notícia sobre a morte de Dinis de Almeida foi confirmada à Lusa por Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril.
O coronel reformado de artilharia Eduardo Dinis Leitão dos Santos Almeida nasceu em Lisboa, a 7 de Julho de 1944, e foi um destacado militar da Revolução dos Cravos.
Integrou o movimento dos capitães – depois Movimento das Forças Armadas (MFA) – desde as primeiras reuniões deste, realizadas numa quinta de Alcáçovas, em Viana do Alentejo, em 1973.
Na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, o então capitão prende o comandante do Regimento de Artilharia de Penafiel, onde se encontrava colocado, toma o controlo da unidade e avança sobre Peniche. Mais tarde a sua coluna virá a ocupar o quartel da Legião Portuguesa, na Penha de França, em Lisboa.

Colocado no Regimento de Artilharia Ligeira (RAL1, também conhecido como Ralis), em Lisboa, teve uma participação  destacada na defesa da unidade ao ataque aéreo e aerotransportado que causou um morto e vários feridos, durante a tentativa de golpe spinolista de 11 de Março de 1975.
A sua acção decidida impediu que forças especiais atacantes, transportadas em helicópteros e apoiadas por aviação, tomassem a unidade. Teve também um papel fundamental na desmobilização dessas forças sem mais perdas de vida, ao sair do quartel para dialogar com as mesmas, em imagens que foram transmitidas pela televisão e se tornaram célebres.
Entre o 11 de Março e o 25 de Novembro o major Dinis de Almeida foi um dos militares defensores da institucionalização da aliança entre o povo e as Forças Armadas (Aliança Povo-MFA) e do aprofundamento das conquistas da Revolução de Abril.
Esteve preso vários meses após o 25 de Novembro, com acusações das quais saiu completamente ilibado, mas a sua carreira militar foi, tal como a de muitos outros militares de Abril, prejudicada.
Apenas lhe foi feita justiça em 2003, com a promoção retroactiva a coronel. Passavam 30 anos sobre a data em que o então jovem capitão particava nas primeiras reuniões que iriam conduzir ao derrube do fascismo e à libertação dom povo português.
Dinis de Almeida exerceu outras actividades profissionais, nomeadamente como psicólogo, e continuou a manter uma actividade cívica em defesa dos valores de Abril.
Além de várias entrevistas e intervenções em conferências e outras iniciativas públicas, foi o autor de dois importantes livros sobre o MFA: Origens e evolução do Movimento de Capitães (Edições Sociais, 1977) e Ascensão, apogeu e queda do M. F. A. (2 vls., Edições Sociais, 1978).

AbrilAbril - 16/5/2021


17.5.21

OPINIÃO: Gaza, notas sobre uma chacina

As forças armadas sionistas que participam em exercícios atlantistas são as mesmas que fazem jorrar o sangue de civis indefesos na Palestina, impedidos de escapar às suas bombas.
Israel está a cometer mais um acto de apogeu da chacina a que tem vindo a submeter impunemente a população da Faixa de Gaza – e da Palestina em geral – durante as últimas décadas. Os alvos não são «os túneis do Hamas», como informa o regime sionista, mas dois milhões de pessoas que vivem enclausuradas num imenso campo de concentração do qual não podem escapar. Não se trata de um «confronto»: é uma barbárie.
Algumas notas sobre o que está a passar-se.
1) O principal responsável pelo massacre não é Israel: é a chamada comunidade internacional
A Faixa de Gaza e a respectiva população são um alvo que Israel tem sempre à mão quando necessita de recorrer a manobras de diversão por causa da degradação política interna, como acontece no momento actual, em que se misturam a prolongada indefinição governativa, a corrupção a alto nível do regime e a polémica gestão da pandemia – por sinal, insolitamente elogiada no plano internacional.
Os dirigentes sionistas não duvidam, nem por um instante, de que podem utilizar o instrumento da guerra contra Gaza porque sabem que a chamada comunidade internacional o permite. As instâncias internacionais, com a ONU à cabeça, e as grandes potências, com destaque para os Estados Unidos e a União Europeia, permitem tudo a Israel sem assumir uma única medida para conter a barbárie. Há mais de 70 anos que a comunidade internacional se vem dotando de instrumentos legais para fazer respeitar os direitos inalienáveis do povo palestiniano e há mais de 70 anos que eles são interpretados como letra morta. Este comportamento é um incentivo à discricionariedade de Israel; e Israel aproveita-o consoante as suas conveniências sabendo que nada de mal lhe acontecerá e nenhuma reacção irá além do apelo à «moderação» e a um «cessar-cessar entre as partes». Isto é, entre uma «parte» que pode tudo e uma «parte» que sofre tudo. Os foguetes do Hamas são irrelevantes quando comparados com o aparelho de guerra usado pelo regime sionista. A actuação da comunidade internacional na questão israelo-palestiniana é o exemplo mais flagrante da sua permanente utilização do sistema de pesos e medidas variáveis.
2) O mundo árabe isola cada vez mais a Palestina
Isolada pela comunidade internacional em geral, a Palestina conta cada vez menos com a solidariedade do chamado mundo árabe. Sob a égide da administração Trump nos Estados Unidos, países árabes como os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein juntaram-se recentemente ao Egipto na normalização das relações com Israel, o que significa abandonar a defesa dos direitos dos palestinianos. Acresce que existem, de facto, relações diplomáticas entre o Estado sionista e a Arábia Saudita, encimadas pela amizade e afinidades entre o primeiro-ministro Netanyahu e o herdeiro do trono wahabita, Mohammed Bin Salman. Uma aliança sobre os escombros da Palestina.
Na prática, a solidariedade árabe nunca desempenhou um papel que permitisse a criação de um Estado palestiniano, como determinam as normas e a doutrina estabelecidas pela comunidade internacional. O reconhecimento de Israel por cada vez mais países árabes, porém, reforça a ideia de que o problema palestiniano poderá ter outras «soluções» que não sejam a criação de um Estado palestiniano independente, viável e plenamente soberano.
Por outro lado, as relações entre países árabes e Israel transformam cada vez mais o Estado sionista numa entidade plenamente integrada no Médio Oriente, dando assim forma ao arranjo pretendido pelos Estados Unidos de uma região com duas potências dominantes – Israel e Arábia Saudita –, ambas viradas contra o Irão.
3. Um massacre com o Irão na mira
O novo pico de guerra de Israel contra Gaza não pode desligar-se dos permanentes esforços de Israel para tentar provocar uma guerra directa contra o Irão – à qual as administrações norte-americanas ainda têm resistido. A ofensiva supostamente «contra o Hamas» – grupo que Israel liga a Teerão apesar de ser sunita e não xiita – acontece no preciso momento em que a administração Biden ainda não definiu se regressa ou não ao acordo nuclear 5+1 com o Irão. A mensagem israelita é directa: apoiando grupos activos no Médio Oriente, como o Hezbollah no Líbano e na Síria e o Hamas na Palestina, o Irão terá de ser desencorajado de o fazer. E os acordos com Teerão têm de ser invalidados.
4. O papel dos Estados Unidos, União Europeia e NATO
Por muito que possam vir a proclamar verbalmente o contrário, os Estados Unidos e a União Europeia estão por detrás de mais esta chacina israelita em Gaza. Se em relação a Washington não existe qualquer dúvida, tanto mais que o aparelho do Partido Democrata no poder é o que está mais sintonizado com os interesses dominantes do sionismo, poderão levantar-se reticências em relação ao papel da União Europeia.
O que não tem qualquer razão de ser. Apesar de algumas declarações de distanciamento, como foi o caso por ocasião da transferência da embaixada norte-americana para Jerusalém, a prática de Bruxelas e dos 27 é objectivamente favorável às atitudes assumidas por Israel, sejam elas quais forem: nada fazem para que seja concretizada a solução de dois Estados na Palestina, mantêm relações económicas e políticas preferenciais com Israel e não assumem nas instâncias internacionais qualquer posição contra as atitudes militares extremas do sionismo. Antes pelo contrário: Israel é um parceiro activo da NATO – que rege a União Europeia do ponto de vista militar – e está mesmo envolvido nos exercícios em curso na Grécia e no Mar Egeu no quadro dos jogos de guerra «Defender Europe». Isto é, as forças armadas sionistas que participam em exercícios atlantistas são as mesmas que fazem jorrar o sangue de civis indefesos na Palestina, impedidos de escapar às suas bombas. Uma aliança que dizima vidas e direitos humanos.
5. A causa próxima: colonização e limpeza étnica
A mensagem de Israel com esta nova operação de barbárie é directa: nada fará parar o sionismo no seu objectivo de limpar e submeter etnicamente a Palestina e de impedir qualquer tentativa, por débil que seja, de implementar a solução de dois Estados.
O instrumento para concretizar esse objectivo é a colonização ininterrupta dos territórios da Cisjordânia – a par do cerco férreo a Gaza – de maneira a estender a ocupação, inviabilizar as possibilidades territoriais de instaurar um Estado e quebrar a resistência nacional palestiniana.
Nas últimas semanas o regime sionista expulsou mais famílias e arrasou as suas habitações no bairro de Sheik Jarrah, em Jerusalém Leste, no quadro da «limpeza» de todos os palestinianos da cidade. Acontece que a ofensiva encontrou forte resistência da população atingida, sinal de que, apesar de isolados internacionalmente, os palestinianos não estão dispostos a abdicar dos seus direitos. Uma vez que Gaza respondeu à agressão e da Faixa de Gaza foram disparados foguetes contra território israelita, a operação militar sionista assumiu as já conhecidas proporções de punição colectiva. Contando, para isso, com a habitual impunidade que lhe é assegurada pelas instâncias internacionais.
De facto, Israel usa o terrorismo para impor a lei do mais forte sabendo que encontrará pouca oposição e condenação nenhuma.
A nova fase da chacina contra Gaza e da limpeza étnica da Cisjordânia é, afinal, mais um passo no sentido de um desfecho que inviabilize de vez a solução de dois Estados na Palestina. Ao mesmo tempo que este princípio vai sendo invocado como um mantra cada vez mais vazio de significado pelos que insistem em dizer-se defensores das leis internacionais e dos direitos humanos.
Enquanto isto, continuam a morrer inocentes indefesos e a Nakba, o holocausto palestiniano, prossegue, dia após dia, sob os olhos e a passividade do mundo. Até ao último dos palestinianos.

* José Goulão in AbrilAbril