2.5.18

1º Maio 1982 no Porto: Terror policial faz 2 vítimas mortais


Foi uma madrugada sangrenta, de terror e repressão policial, a vivida no dia 1 de Maio de 1982 na cidade do Porto. O poema evoca os dois jovens que foram mortos após a violenta carga policial perpetrada pela Polícia de Intervenção de Lisboa.O texto reconstitui o acontecimento trágico que culminou na morte de dois jovens, em pleno tempo de liberdade e democracia...
Aos trabalhadores assassinados no 1º de Maio 1982 no Porto
Olhas o céu,
Pasmado
Porque não vês...
E sentes a boca aberta
E crispada,
Uma boca
De onde já não sairá nada,
E pasmas...
E não crês...

A tua mão repousa
Caída inanimada
Estendida na calçada
Que te contempla triste...
E tentas estender
A mão crispada...
E a tua mão resiste...

Ficaste de costas,
Como caíste,
E uma réstia de sol
Aquece-te a garganta.
Escorre-te pela cara
Algo que te espanta...
- Mas tu já não vês.

Sentiste o chão
Que te premia as costas...
Sentiste o sol bater
Nos teus olhos azuis.
Sentiste a agonia...
A revolta...
Mas já não viste os chuis...
Tó – Maio/82

"Entraram na cidade como cowboys no far-west"

Passam trinta e seis anos dos trágicos acontecimentos da madrugada de 30 de Abril para 1 de Maio de 1982 na cidade do Porto. Este texto rende homenagem às vítimas do terror policial a partir da documentação publicada, tentando enquadrá-la no contexto das lutas sindicais do momento, uma história – como tantas outras – que ainda está por fazer.