21.2.17

SAÚDE: Investigador português lidera cirurgia inédita para problemas articulares

Primeiro doente português deverá ser tratado em 2018
Recurso a ovelha Black Merino
Uma equipa de investigadores, liderada pelo médico e investigador David Ângelo, vai realizar uma cirurgia inédita, em Portugal, usando como modelo a ovelha Black Merino. A cirurgia consiste na colocação de biomateriais inteligentes capazes de regenerar o disco articular. Se os resultados forem sólidos, a primeira cirurgia em humanos poderá ocorrer já em 2018.
“Neste estudo pré-clínico estão a ser usadas ovelhas Black Merino, tendo já sido realizados os primeiros testes em fevereiro de  2016. Após análise cuidada dos primeiros resultados, consolidou-se o conhecimento sobre a importância que o disco tem na prevenção de problemas articulares e deu-se seguimento à fase 2 do estudo. Nesta fase 2 vamos testar 3 biomateriais inteligentes. Um biomaterial é nacional e nos testes in-vitro parece ter propriedades regenerativas impressionantes, mas é preciso ter evidência desse comportamento in-vivo”, revela David Ângelo.
“Estou genuinamente otimista em relação aos resultados que vamos ter no início do próximo ano. Penso que, em 2018,  se os resultados forem os previstos, haverá condições para começar a planear a primeira cirurgia em humano com este disco no Centro Hospitalar de Setúbal”, afirma.
Esta investigação na área da medicina regenerativa, que chega à fase final em janeiro de 2017, já recebeu seis prestigiados prémios nacionais e internacionais. “Estes prémios são um reconhecimento do trabalho que tem sido desenvolvido. Existe o objetivo de alcançar algo de novo no mundo científico que possibilite um novo e eficaz tratamento aos doentes com disfunção da articulação temporomandibular grave”.
David Ângelo reforça a importância do estudo: “mesmo não sabendo o resultado final, em cada congresso que apresentamos novos resultados, somos contactados por especialistas internacionais que ficam impressionados com este estudo e que já têm doentes candidatos para o potencial biodisco”.
A disfunção mandibular afeta cerca de 30% da população portuguesa e é a causa mais comum de dor orofacial de origem não-dentária. Os principais sintomas são a dor articular, que pode atingir o ouvido, a limitação na abertura da boca e estalidos na articulação
Em 2015, esta investigação contou com o apoio da Bolsa para Jovens Investigadores em Dor, atribuída pela Fundação Grünenthal a David Ângelo.