8.1.17

Música nacional está na moda. Ano encerra com seis artistas nacionais nas dez primeiras posições do top.

No ano em que se realizaram quase 250 festivais em Portugal, em que mais de dois milhões de pessoas terão assistido pelo menos a um deles; no ano em que o fado cumpriu o quinto ano como património da humanidade; em que Zé Pedro fez 60 anos de idade; em que Portugal operou uma revolução na gestão e na cobrança dos direitos de autor com um sistema pioneiro no Mundo, a música portuguesa voltou a estar em alta. O ano encerra com seis artistas nacionais nas dez primeiras posições do top (só Rolling Stones, Leonard Cohen e Metallica se intrometem entre os tugas). Portugal assistiu a esse fenómeno Zambujo/Araújo com mais de 20 coliseus entre Lisboa e Porto, mas assistiu também à consagração de novos valores como D.A.M.A ou Agir. Marco Rodrigues foi nomeado para os Grammy Latino, Carminho gravou Tom Jobim a convite da família do próprio e Zambujo gravou Buarque com a ajuda deste. Os Beatbombers sagraram-se campeões do Mundo de DJ, Rita Redshoes lançou álbum novo com o produtor de Nick Cave e Luisa Sobral gravou com o produtor de Elvis Costello. Ana Moura elevou o seu ‘Desfado’ à marca de seis platinas e a disco nacional mais vendido em Portugal nos últimos cinco anos. O cante alentejano mostrou-se ao País com os Monda e o Rancho de Cantares de Aldeia Nova de S. Bento a lançarem dois dos mais belos discos do ano. Jorge Palma comemorou 25 anos de ‘Só’, Cuca Roseta estreou-se nos coliseus, Raquel Tavares regressou aos discos, Gisela João voltou a fazer das suas com um álbum arrebatador e Carlos do Carmo foi condecorado Grande-Oficial da Ordem do Mérito. A música nacional continua a viver em estado de graça, quando já se sabe que no próximo ano o Festival Eurosonic (um dos maiores do Mundo) terá precisamente Portugal em destaque. 2017 promete.
Miguel Azevedo in “Correio da Manhã” – 31/12/2016