27.12.16

Mulher do presidente da Câmara de Gaia foi aumentada 390% em cinco anos

Em apenas cinco anos, o salário da mulher do presidente da Câmara de Gaia aumentou mais de 390% – de 475 euros em 2010 para mais de 2300 euros no ano passado.
A notícia é divulgada pelo Público, que adianta que o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto já está a investigar as ligações entre três Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) de Gaia e a autarquia, para saber se existe algum ilícito criminal.
A mulher do autarca de Gaia, Elisa Costa, é vice-presidente da assembleia geral na Sol Maior e diretora técnica desta IPSS de que o marido é co-fundador.
Na direcção desta IPSS tem assento o chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues, António Rocha, e a sua irmã, Margarida Rocha, adjunta do presidente da autarquia.
A Sol Maior também dá emprego a Armanda Moreira, mulher do vice-presidente de Gaia e presidente da Olival Social, uma IPSS fundada em 2006 – na qual o seu pai, Manuel Azevedo, desempenha o cargo de segundo vogal da assembleia-geral.
De acordo com o Público, entre 2010 e 2015, a mulher do presidente da Câmara de Gaia viu a sua remuneração base passar de 475 para 2343,71 euros. Mas foi a partir de Outubro de 2013, que o salário base de Elisa Costa conheceu sucessivos aumentos.
Nessa altura, o vencimento era já de 800 euros e subiu para 1018 euros, em Maio de 2014. Cinco meses depois, a direção da Sol Maior voltou a aumentar a diretora técnica em 150 euros, chegando a sua remuneração aos 1168 euros.
Eduardo Vítor Rodrigues afirmou ao jornal que o “alegado duplo aumento no mesmo ano [2014] não se concretizou nesses termos, tendo constado de uma atualização anual remuneratória de acordo com a tabela das IPSS e o seu índice de atualização, cumulativamente a uma condição de isenção de horário devido ao tempo de trabalho fora de horas, nunca tendo beneficiado de remuneração de ‘trabalho extraordinário’”.
A mulher do autarca começou por negar os aumentos, mas depois considerou-os “normais”, justificando que estes “decorrem das responsabilidades” que desempenha.
O presidente da Câmara de Gaia já comentou o assunto no Facebook, numa publicação onde divulga a declaração de rendimentos que entregou no Tribunal Constitucional.
“Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o tempo em que esteve a meio-tempo e o tempo em que passou ao quadro, com vencimento da tabela da Segurança Social. Não se compara o vencimento de uma pessoa usando o mês do subsídio de férias” afirmou o autarca.
“A única riqueza que acrescentei foi a dos amigos. Estou preparado para lutar contra a mixórdia em que alguns vivem e para lhes responder em todos os lugares. E estou pronto para lutar contra aqueles que querem confundir os tempos e as estações”, acrescentou.
O chefe de gabinete de Eduardo Vítor Rodrigues, António Rocha, também já se pronunciou acerca do assunto nas redes sociais, dizendo que o facto de um jornal de referência calcular “percentagens de aumentos usando o mês em que se recebe o subsídio de férias mostra bem o estado de literacia matemática do país”.
“Que a campanha de falsas notícias já começou não restam dúvidas”, sublinhou António Rocha.
Em Setembro, foi feita uma denúncia no DIAP sobre as ligações entre as três IPSS’s e a autarquia de Gaia. Agora, serão analisadas todas as informações sobre esta matéria no sentido de averiguar se realmente existe algum ilícito criminal.
 in www.zap.aeiou.pt