27.10.16

PERIGO NUCLEAR: M.I.A. alerta autarquias e a população!

Estiveram vários elementos do Movimento Ibérico Antinuclear presentes em Seia no simpático, mas a necessitar de mais envolvimento, festival de cinema ambiental o Cine-Eco, este ano sob o epigrama Nuclear, Não Obrigado.
Neste foram passados dois documentários notáveis sobre Chernobyl (um o grande prémio!) e duas excelentes peças jornalísticas sobre Almaraz. De referir ainda um interessante sobre a história do urânio (também premiado!), todavia dando todavia pouca importância às consequências e ligações desta mineração, que felizmente contou com as palavras informadas de António Minhoto, da comissão dos ex-trabalhadores.
Mas foi   no dia dos documentários sobre Almaraz que houve debate, a sério.
Nesse podemos confirmar que a nossa Protecção Civil está entregue a Nª Senhora de Fátima no que se refere a qualquer hipotético acidente nuclear.
Numa altura em que os trabalhadores do Conselho de Segurança Nuclear  (C.S.N.) espanhol, denunciam a administração do mesmo e referem o paralelismo entre o que se passou Fukushima e “que o contribuiu para a gravidade do acidente e o que nos diz o C.S.N.” sobre Almaraz.
No debate ficou claro que a nossa Protecção Civil:
1- tem um plano de evacuação que deve estar no mesmo local onde estava o plano de emergência e de evacuação de Chernobyl. Fechado no cofre forte da central... que explodiu.
Pois esse plano de evacuação, a existir, é ignorado pelas autarquias do Tejo de Castelo Branco e de Portalegre, é ignorado pelas forças vivas, escolas, associações profissionais, sociais, sindicais ou empresariais. Ninguém conhece, ninguém ouviu falar, nunca foi feito qualquer simulacro, não há nenhuma preparação, de nada, nem o envolvimento de ninguém, nimguém mesmo. Está fechado nalgum cofre...
Numa altura em que o risco de uma central com um imenso historial de incidentes, e acidentes, mesmo tendo já que motivado o quase fecho do abastecimento de água a Lisboa nos anos 80, numa altura em que as peças defeituosas motivam alarme nas centrais francesas mas são tidas por irrelevantes pela administração do C.S.N. (mas não pelos seus técnicos e cientistas!), a nossa Protecção Civil refere que tem um plano de evacuação.
“Fia-te na Virgem e não corras” disse um dos membros do M.I.A. quando um responsável da Protecção civil o anunciou.
Autarquias é hora de agir!
 2- Mas mais grave foi o total, total e absoluto desconhecimento pelo mesmo responsável  da Protecção Civil da intervenção de emergência necessária. Seja o lançamento na rede de água de iodo, seja a disponibilização de pastilhas aos cidadãos das zonas afectadas.
Na Bélgica e em muitas zonas da Alemanha todos os cidadãos já tem esse fornecimento, por lei. Por cá um encolher de ombros e “não é connosco é um problema de saúde”.
É imperativo que alguém, e desde logo as autarquias sujeitas a graves consequências no caso de um imponderável nesta central nuclear, se imponham,
uma vez que a acção do nosso ministro do Ambiente, que tem um pedido de audiência do M.I.A há bastante tempo e que ao contrário do Parlamento e das autarquias não quer ser informado do que se passa nestas centrais, (a acção do nosso ministro do Ambiente continua a ser ao arrepio do tratado luso-espanhol e das directivas europeias, escassa e dispiciente).
É imperativo que as autarquias estejam alertas, exijam que se façam exercícios de evacuação e sejam disponibilizadas pastilhas de iodo para as populações, ou sejam armazenadas em condições adequadas.
O M.I.A., todas as inúmeras organizações e forças políticas e sociais portuguesas, extremenhas e ibéricas que se têm empenhado a uma só voz, exigem o encerramento, imediato, de Almaraz. Porque a sua produção é desnecessária e negligenciável, porque é demasiado arriscada a continuação da sua laboração, porque os riscos sociais ambientais são tremendos.
Mas também exigimos que todas as medidas de segurança das populações, todos os meios de minimizar riscos, que infelizmente não se compaginam com documentos fechados em gavetas, ou acções depois da hora do acidente.
A nossa Protecção Civil deve ser desde já pro-activa e é isso que deve ser a exigência das autarquias e das forças sociais de todo o país!
António Eloy - Movimento Ibérico Anti-nuclear