1.1.16

OPINIÃO: O Tempo da Geringonça

“O caminho faz-se caminhando”…
Nada de mais verdade! Pensava eu, neste popular provérbio, enquanto fazia o habitual percurso matinal, pisando as velhas e gastas pedras da calçada, onde outros antes já tinham pisado e, mesmo outros antes dos outros… enfim, muito antes de ali existir mesmo um caminho, ou uma vereda. Todos por ali passaram, várias gerações, que foram construindo o velho caminho, e todos conheciam as promessas da partida e o sofrimento da chegada.
“Não há outro caminho”, diziam-nos os velhos caminheiros, e este, já o conhecemos, por pior que seja, sabemos que partimos de um local e que chegamos a um destino por vezes diferente do que ambicionamos, mas pronto, chegamos, ou não! – Com um grau de incerteza ainda muito elevado, é certo, mas era a única alternativa – afirmavam confiantes na única via que nos apresentavam.
Todos olhavam para o velho caminho, que já não servia a maioria das pessoas, mas ninguém se atrevia a questionar os velhos caminheiros, não havia coragem, nem vontade em construir outro caminho.
Até que um dia, a maioria, que duvidava do caminho inevitável, decidiu arriscar! E construíram, ali mesmo, uma geringonça, para trilhar um novo e diferente caminho. Tão diferente que alguns, mesmo da maioria, ficaram sépticos e incrédulos com tal atrevimento. Não pode ser… Não resulta!
Mas o caminho faz-se caminhando… com tempo – disse a maioria.
E o tempo, companheiro inseparável das longas jornadas, junta-se à geringonça para fazer nascer o tempo novo, ou melhor, por outras palavras, a esperança que se perdeu naquele caminho sem sentido. E faz recuperar, agora, algures entre o solstício de inverno e o fim do ano, uma nova luz, um novo rumo e um caminho novo, cheio de esperança.
No início deste novo ano, esperamos sinceramente que este novo tempo, que agora começa, nos traga novos e bons caminhos. Sempre caminhando…
Bom Ano de 2016!
 JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO