9.1.16

OPINIÃO: A «coerência» do professor Marcelo

Já testemunhei do meu apreço e apoio à drª. Maria de Belém, baseado no contacto pessoal e institucional enquanto ministra.
Quis o acaso que também ocorresse a circunstância de me encontrar, enquanto presidente da Câmara, duas vezes com o candidato presidencial concorrente Marcelo Rebelo de Sousa. Com total sinceridade, quero igualmente testemunhar o sentimento com que, então, fiquei e que, por atroz na afronta à mais elementar honestidade e seriedade política, mantenho vivo na memória e jamais esquecerei.
Em curto espaço de tempo (três anos, talvez) participei, enquanto eleito local convidado, em debates sobre o mesmo tema : a REGIONALIZAÇÃO. Marcelo I, presente na qualidade de especialista em direito constitucional, manifestou a mais VIVA SIMPATIA pelo processo de regionalização, referindo, com veemente protesto, o adiamento sucessivo da criação em concreto das regiões administrativas, o que, na qualidade em que estava, considerou brutal violação constitucional, por omissão.
Marcelo II, mais tarde, na altura presidente do PSD, num outro confronto de ideias, HORRORIZOU A INTENÇÃO de avançar com a eleição dos órgãos autárquicos regionais no continente, aderindo às mais primárias acusações de «despesismo», «burocracia acrescentada», «espartilho do país», enfim, a lenga-lenga dos mais acérrimos defensores do centralismo...
A convicção com que fiquei é que ZIGUEZAGUEAVA, sem qualquer coerência ou ideal, conforme sentia o pulso da opinião pública, que, como se comprovou no referendo realizado, expressou uma tendência negativa em relação ao avanço do processo.
Esta incoerência, esta expressão de «ideias», ao sabor da maré, conforme pressente ser mais «populucho», vem na linha das suas «opiniões” no COMENTÁRIO TELEVISIVO arrastado de pré campanha, milimetricamente calculada, em que, frequentemente, em poucos meses, sobre o mesmo assunto defendia, não cinzento mais claro ou mais escuro, mas «BRANCO OU PRETO», com total desfaçatez, sempre para tentar agradar em quem o via e ouvia e não, com sentido de responsabilidade, independência e coerência, se comportar como um comentarista digno dessa condição.
Se foi assim nos testemunhos que apresento, como seria se, porventura, viesse a ser o presidente da República Portuguesa?
José Manuel Basso