22.11.15

OPINIÃO: As bananas do Srº Silva, o sorriso das vacas e a poda das anonas.

 O Senhor Silva é uma personagem bastante curiosa, atrevida e desafiadora da realidade nacional, a qual circulou durante algum período nos discursos políticos do madeirense Alberto João. Mas, o que tornou esta personagem tão relevante no nosso espectro politico/partidário? Tão só, os cargos que tem desempenhado nas últimas três décadas, ao mais alto nível, primeiro: ministro das finanças, depois primeiro-ministro e por último Presidente da República, mas sempre com a auréola de “não político”.
É claro que o Senhor Silva não é um homem qualquer, nem pode ser!
E, neste momento é Presidente da República Portuguesa. Diga-se, lamentavelmente o pior ocupante de tal cargo desde a fundação deste regime.
Em momentos cruciais da vida politica, tal como o que vivemos atualmente, o Senhor Silva tem o dom de se ausentar das suas responsabilidades. Erradamente marcou as eleições legislativas para 4 de Outubro, com o objetivo de desgastar a imagem do líder da oposição, quando podia tê-lo feito perfeitamente antes do verão, o que o tornou vulnerável na atual situação, diminuído nos seus poderes presidenciais.
Ele próprio criou uma situação da qual não sabe como sair. Entretanto vai reunindo com este e com aquele, todos com a mesma opinião. Os comentadores da nossa praça intitulam a esta reflexão: o “tempo do presidente”, mas que não passa de um “empata tempo”, ou melhor “encher chouriços”.

Pelo meio, e ao seu jeito, vai aproveitando o tempo que ainda lhe resta, para visitar a ilha da Madeira, onde outrora reinava um jardim, com bananas mais pequenas ao que afirma numa conversa com o seu interlocutor, o novel presidente da região autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque: (agora) «Vocês têm uma banana maior e mais saborosa».
São estas suas sábias reflexões filosóficas, que nos ficam das suas presidências, sobre assuntos tão específicos do quotidiano da sociedade portuguesa, com as quais melhor conseguimos decifrar a sua posição sobre a atual crise politica. Já outrora, e numa noutra fase crítica da política portuguesa, em 2011, numa visita aos Açores, abordou os temas sempre sensíveis como o “sorriso das vacas” e a “poda das anonas”.
Afirmando em discurso direto: “Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante” ou “A poda é pouco sensível na anoneira, não é essencial”, “Mas, este ano vou experimentar e não vou podar algumas”.
Fico contente e satisfeito olhando para o palácio de Belém, já vazio e com a poda feita. Guardem a múmia e venha 24 de Janeiro, necessitamos de um presidente capaz.
José Leandro Lopes Semedo