17.2.14

OPINIÃO: “Namoros e Casamentos”

Falar de cultura no concelho de Nisa sem mencionar a biblioteca municipal – instituição de alto valor social e cultural, seria um erro crasso, por isso mesmo, hoje venho-vos falar de um projeto, que está neste momento no terreno, de 11 a 20 de Fevereiro, denominado “Leituras e Memórias” tendo como tema de base “Namoro e Casamento”.
Enquanto o sol não espreita e a chuva continua a cair lá fora, os técnicos e os animadores da Biblioteca Municipal dinamizam sessões de leitura nas várias instituições de solidariedade social do concelho - Centros Sociais de Santana (Monte do Arneiro), de São Matias (Monte Claro) e de Tolosa e nas Santas Casas da Misericórdia de Montalvão, de Nisa, de Arês, de Amieira do Tejo e de Alpalhão.
Uma iniciativa de louvar, sem dúvida, pela graveza que nos merece a memória social aliada ao convívio e ao prazer da leitura, reforçando assim a vertente da memória como um importante recurso do património imaterial, e que estando ao nosso alcance não a podemos desprezar. São fragmentos da vida de cada um, em que existem partes comuns da vivência em sociedade e as quais devemos preservar, valorizar e divulgar.
A data escolhida, não podia ser a melhor, penso que não foi ao acaso – conciliar o tema “Namoro e casamento” com o dia de São Valentim (15 de Fevereiro), uma forma de comemorar a data, sem a componente comercial que lhe é atribuída.
Para quem pretende conhecer mais sobre o tema em questão, recomendo um excelente livro de Isabel Freire, “Amor e Sexo no Tempo de Salazar”, da Esfera dos Livros, Lisboa, edição de 2010, onde podemos encontrar citações como a de Esperança, que em 2009 tinha 90 anos e vivia numa aldeia do norte do Alentejo, “namorava-se um ano, mais coisa menos coisa. E namorava-se à porta ou à janela do rés-do chão, se a houvesse. Enquanto o rapaz não pedisse a rapariga em casamento não entrava lá dentro. Ficava ela do lado de dentro e ele do lado de fora. Depois do pedido, sim, já podia entrar, sentar-se ao lado da moça, e conversarem os dois. Mas faltava ainda os pais do noivo virem pedir a rapariga aos pais da noiva, escolher a data do casamento e entregar as prendas. Eram coisas muito sérias!”
Sendo o tema de grande interesse social e culturalmente, atrevo-me a lançar um repto aos organizadores, para que estas iniciativas agregassem a recolha de alguns registos para memória futura, mesmo através de vídeo.
JOSÉ LEANDRO LOPES SEMEDO